São Coisas Nossas

03/06/2006 14:48
Publico aqui uma foto tirada há alguns meses, com D. Inah, meu querido amigo carioca Paulo Eduardo Neves, eu, a produtora Mariza Ramos e um amigo, o Sorriso. E também transcrevo um poema que recebi do meu querido amigo Cássio Junqueira, poeta.



É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
Multiplicar os beijos, as searas.
É urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio sobre os ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor; é urgente
permanecer.

(Eugénio de Andrade, poeta português)
enviada por Roberta



27/04/2006 03:09


Esta praia maravilhosa tem sido meu refúgio nos últimos dois anos...
Continuo no São Coisas Nossas, só vim aqui dar um oizinho ;-)

Enviado por: Roberta
[ Editar ] | [ Excluir ]

06/03/2005 13:32:41
Em Tempo de Adeus
(Edu Lobo e Ruy Guerra)

Quando eu morrer
E é tão triste a gente ir
Ter de deixar tanta esperança
Tanta gente a quem amar
Quem sabe alguém pra me olhar
Quando eu morrer e é tão triste a gente ir

Ah, se eu pudesse
Ter te encontrado
A dor da morte era assim igual
Mas mil vidas dadas
Uma só guardar
Para viver sempre
Toda sempre ao lado teu
Quando eu morrer e é tão triste a gente ir

Alguém escreva para mim
Numa primavera qualquer
A palavra liberdade
Junto ao meu desespero de acabar
Quando eu morrer e é tão triste a gente ir.
_________________________________
Gravada por Nara Leão no CD Opinião de Nara, Philips, 1964.

Enviado por: Roberta
[ Editar ] | [ Excluir ] | [ Gerenciar Comentários (6) ]

20/01/2005 00:06:25
Não que eu vá ressuscitar este blog, não é isso. Mas este texto pegou tão pesado, achei que tinha que dividi-lo com todos. Porque eu gosto muito de "ultrapassar a fronteira da minha dor". Espero que vocês apreciem.

PARA MARIA DA GRAÇA
Paulo Mendes Campos

Agora que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas.
Este livro é doido, Maria: o sentido dele está em ti.
Escuta: se não descobrires um sentido na loucura, acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.
A realidade, Maria, é louca.

Nem o Papa, ninguém no mundo pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz a sua gatinha: “Fala a verdade Dinah, já comeste um morcego?”

Não te espanes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isto acontece muitas vezes por ano. “Quem sou eu no mundo?” Esta indagação perplexa é o lugar comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares esta charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta: o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.

A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: “Estou tão cansada de estar aqui sozinha!”. O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada, e vice-versa, fechar uma porta bem aberta.

Somos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.
Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda a sabedoria tem que ser grave.

A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: “Oh, I beg your pardon!”. Pois viver é falar em corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para sua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: “Gostarias de gatos se fosses eu?”

Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na Literatura. Até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados, todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, que quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: “A corrida terminou! Mas quem ganhou?” É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiverdes de ir a algum lugar, não te preocupes a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre aonde quiseres, ganhastes.
Disse o ratinho: “Minha história é longa e triste!”. Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: “Minha vida daria um romance!”. Sobretudo dos homens. Uns chatos irremediáveis, Maria.

Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro. E não se desesperes ao triste pensamento de Alice: “Devo estar diminuindo de novo”. Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.

Escuta essa parábola perfeita: Alice tinha diminuído tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo. Isso acontece muito, Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte. É isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e de rinocerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçado de camundongo. E como tomar o pequeno por grande e o grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom humor.

Toda pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande, para o humor mais ou menos barato, que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; e por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para as grandes ocasiões. Chamo de “grandes ocasiões” os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade; em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos; em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado Maria, com as grandes ocasiões.

Por fim, uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: “Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas”.

Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida. É feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassarmos a fronteira de nossa própria dor, Maria da Graça.

Para Gostar de Ler – vol. IV

Enviado por: Roberta
[ Editar ] | [ Excluir ]

05/11/2004 14:16:18
Sovaco de Cobra

Pessoal, antes da minha despedida final aqui no ig quero dar uma dica a todos os amantes da boa música: o excelente blog Sovaco de Cobra está entre os 10 finalistas na categoria "melhor temática" do concurso "The Best Of The Blogs Awards", promovido pela Deutsche Welle. Todos os detalhes a respeito já foram publicados pelo Zé Carlos Cipriano, pesquisador e violonista seriíssimo aqui:

http://www.sovacodecobra.com.br/pivot/entry.php?id=296

Não deixem de votar e conhecer este trabalho maravilhoso!
Este foi meu último post aqui, espero vocês no blogspot.
Um beijo grande a todos

Enviado por: Roberta
[ Editar ] | [ Excluir ] | [ Gerenciar Comentários (2) ]

04/11/2004 05:08:55
Despedida

Queridos amigos, tenho que admitir que como dona de blog eu sou um verdadeiro fiasco. Tenho milhares de coisas legais que gostaria de escrever aqui, mas infelizmente não tenho disciplina e nem tempo, o que me deixa sinceramente muito triste, porque eu adoro, de verdade, este espaço.
Além de tudo isto, o IG não ajuda, confesso. Outro dia escrevi um post enorme e, quando fui publicar, a página do ig não aceitou (só Deus sabe por quê) e eu perdi tudo, fiquei uma fera. Além do que tenho vontade de divulgar o trabalho de outros amigos, outros blogs maravilhosos, e não consigo, pq esta espelunca só abre espaço pra blogs do ig.

Diante de tantas reclamações, enfim uma boa notícia. Uma amiga muito querida, a Mariana, montou um blog pra mim no blogspot e eu estou de malas prontas. Devo me mudar em breve. O meu novo endereço será www.saocoisasnossas.blogspot.com. Ainda não está pronto, e isso não significa que eu vá escrever mais, mas não vou parar. Espero que vocês tenham paciência comigo ;-)
------
Aproveito pra dizer que hoje tive um dia muito especial. Encontrei um amigo que eu não via há quase dois anos, o grande pianista porto-riquenho Edsel Gomez, que está de passagem pelo Brasil (vai se apresentar no Tim Festival). Ele é, além de um músico brilhante, uma pessoa muuuuuuuito generosa e gente fina. Prometi arrumar uma música pra ele há dois anos, estou meio atrasada (como sempre!). Então aqui vai esta música lindíssima - inédita - do Sombra, com letra do Paulo César Pinheiro:

Santo Amor

Pra que você nunca vá embora
Pus meu coração no seu caminho
Por você minha Nossa Senhora
Dou o corpo, o sangue, o pão e o vinho

Vou criar meu próprio pergaminho
Desse santo amor que me devora
Vou deixar-me coroar de espinhos
Pra que você nunca vá embora

No seu corpo em cruz vou me prender
Pela sua vida oferecer a minha vida
Me pregar nos braços seus e morrer.

Enviado por: Roberta
[ Editar ] | [ Excluir ] | [ Gerenciar Comentários (1) ]

08/10/2004 13:44:42
Zé Luiz Mazziotti

Hoje quero escrever sobre esse moço lindo, um dos maiores cantores do Brasil de todos os tempos.


Ouvi pela primeira vez a voz abençoada de Zé Luiz num lp tributo ao Sidney Miller (por quem também sou apaixonada). Foi amor à primeira audição. Logo depois fui ao show dele, lá por 1995, no finado bar Vou Vivendo, com meu grande cúmplice musical, Roberto Lapiccirella. Foi um show intimista, platéia selecionadíssima, o Zé conversou o tempo todo, e num determinado momento perguntou se alguém queria ouvir uma música em especial. Aí não me contive, e pedi pra ele cantar Nós, os Foliões, que ele gravou no tributo ao Sidney Miller. Foi o suficiente para ficarmos amigos.

Nós, os Foliões
(Sidney Miller)

Nosso amor passou, eu sei
No princípio eu não quis acreditar
Chorei
Mas depois eu tive que me conformar
Me conformei
A realidade foi maior
Aprendi nessa dor
A mágoa não compensa
E o orgulho é mais cruel
Que toda a indiferença
Pode acreditar, mulher
Nosso amor foi lindo
Como um carnaval qualquer
Que se acaba
E faz um novo dia a dia acontecer
Tão difícil assim como viver
Até um dia em que vem
reacender alegrias e salões
Nós, os foliões
Nossas alegorias
Tão esperado e se foi
Tão colorido e lá vai
Perdendo a cor o carnaval do nosso amor.
_________
Virei fã absoluta. Fui a todas as apresentações dele que pude, me lembro de outra noite no Vou Vivendo, dessa vez Zé Luiz e a cantora Yvette Mattos. Foi um show inesquecível. Eles contaram tantas histórias engraçadas que quase mataram a platéia de rir. E também de chorar, de emoção, ao ouvi-los cantar.
Corri sebos afora pra achar seus primeiros lps, ZéLuiz, de 1979 e Sinais, de 1981. O tributo a Sidney Miller foi lançado pela Funarte em 83. No ano seguinte ele lançou ...E o Amor Falou (que eu não tenho). Nesse mesmo ano Zé foi morar na França. Dez anos depois, de volta ao Brasil, lançou o disco ZeLuiz (1995), que me roubaram. Em 2001 Zé gravou o CD Pra Fugir da Saudade, ao lado de outra grande cantora, a Célia (na foto), só com músicas de Paulinho da Viola. É lindo de morrer - E difícil de achar. Há dois anos Mazziotti gravou um CD independente só com músicas do Chico Buarque. Esse disco acaba de ser relançado pela Dabliú, é belíssimo. Além disso Mazziotti tem participações antológicas em outros discos, como a do CD Antonio Adolfo Abraça Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth, em que ele canta Bambino, que vou publicar logo abaixo.

É possível conhecer a biografia, discografia, etc. de Zé Luiz no seu site oficial, http://www.zeluizmazziotti.com.br/. Ele também tem um blog, http://mazziotti.festim.net/.

Zé Luiz Mazziotti tem a voz masculina mais bonita que já ouvi. É uma pessoa maravilhosa, extremamente humilde, dona de um bom gosto excepcional. Eu só lamento o fato de ele não aparecer na Globo, de suas músicas não tocarem no rádio, do mundo não conhecê-lo. Porque ele é genial. Como sou feliz e privilegiada por conhecer Zé Luiz Mazziotti!

Bambino
(Ernesto Nazareth)

Como tão linda está
Como tão linda está
Mas se um beijo eu pedir
Você não me dá
Você não me dá
Quem lhe implora é o amor
A inocência, o candor
Mas você é tão má
Que eu sei que você não dá, não dá

Não tem pena de ver um poeta a sofrer
Quem lhe implora é o amor
É a doida aflição do meu coração
Se me promete dar
Eis-me aqui a chorar
Mas você é tão má que eu sei que você não dá, não dá.

Sua boca é um primor
Uma abelha do amor
Sou capaz de jurar que seu beijo há de ter
O sabor do luar
Sua boca é um altar
Onde eu quero rezar
E após (a)* confissão
Nos seus lábios crismar os meus lábios então.

Sua boca cheirosa, a essência da rosa
Mais bela e mais langue
É uma estrela, uma estrela de sangue
Um luar de sangrento rubor
Quem me dera um carinho
Deixar lucilando num terno cantinho
Desse mau pedacinho
Do inferno, do averno
Do céu mais azul
A minha alma voando do paul da terra
Tão cheia de horrores
Nesse berço feliz dos amores
As minhas glórias pudera cantar
E se acaso duvida do que ora lhe diga
Venha, experimente
Que (a)* minha alma ardente
Na sua boquinha deseja sonhar

Como tão linda está
Ai, meu Deus, como está
Pra uma santa ficar
Devia um beijinho agora me dar
O seu beijo é o licor
Dos travores da dor
Há de ter o sabor da antera da flor
Do seu amor.
________________
Recebeu letra de Catullo da Paixão Cearense e virou Você não me dá!
(Dedicada ao criminalista Evaristo de Moraes).

Significado de algumas palavras (retirado do Aurélio)

Candor: candura
Primor: delicadeza, beleza
Crismar: batizar
Langue: forma verbal erroneamente tomada por adjetivo, em vez de lânguido (sensual)
Rubor: cor vermelha
Lucilando: do verbo lucilar - brilhar com pouca intensidade
Averno: inferno
Paul: pântano
Travores: Impressão de desagrado ou de amargor
Antera: (bot.) - porção dilatada, sacular, que se acha no ápice do filete do estame e encerra os grãos de pólen. É formada por duas tecas, unidas pelo conectivo, cada uma delas composta de dois sacos polínicos. As anteras abrem-se por fendas ou por poros para dar saída ao seu produto - os grãos de pólen.
* não consta na gravação.

A música também recebeu letra de Zé Miguel Wisnik e foi gravada por Elza Soares no CD Do Cóccix até o Pescoço.

Bambino

E se o ferro ferir
E se a dor perfumar
Um pé de manacá
Que eu sei existir em algum lugar?
E se eu te machucar
Sem querer atingir
E também magoar
O seio mais lindo que há?
E se a brisa soprar?
E se ventar a favor?
E se o fogo pegar
Quem vai se queimar
De gozo e de dor?
E se for pra chorar
E se for ou não for
Vou contigo dançar
E sempre te amar, amor

E se o mundo cair
E se o céu despencar?
Se rolar vendaval, temporal, carnaval
E se as águas correrem
Pro bem e pro mal?
Quando o sol ressurgir
Quando o dia raiar
É menino e menina
Bambino e bambina
Pra quem tem que dar
No final do final

E se a noite pedir
E se a chama apagar?
E se tudo dormir
O escuro cobrir
Ninguém mais ficar?
E se for pra chorar
E uma rosa se abrir?
Pirilampo luzir, brilhar e sumir
No ar
E se tudo falir
O mar acabar
E se eu nunca pagar
O quanto pedi
Pra você me dar?
E se a sorte sorrir
E o infinito deixar
Vou seguindo seguir
E quero teus lábios beijar.

Enviado por: Roberta
[ Editar ] | [ Excluir ] | [ Gerenciar Comentários (4) ]

02/10/2004 22:59:51
Diário de bordo

Este samba-choro é belíssimo, como todas as músicas de Altamiro Carrilho, grande compositor e flautista. É do tipo de música que ouço o dia inteiro, sem parar. Grande hit do violonista de 7 cordas João Macacão, excelente cantor, com quem ouvi este clássico pela primeira vez.

Meu sonho é Você)
(Altamiro Carrilho e Atila Nunes)

Quando eu passo pela rua onde mora
Aquela que eu perdi
Numa noite de verão
Ainda hoje eu sei que ela chora
Relembrando com saudade aquela amizade
Que o tempo levou, levou
Meu desejo era ser bem feliz
Mas o destino não quis
Vivo sofrendo afinal

Meu sonho é você
Que é todo o meu mal
Tudo terminou
De um modo banal.

Foi gravada por Noite Ilustrada no CD Resgatando. Outras gravações: Agnaldo Timóteo e Carmen Costa, Cauby Peixoto, Dick Farney, Nelson Gonçalves, Orlando Correa, Orlando Silva, Ribamar, Rinaldo Calheiros, Turma da Gafieira, A Turma do Sereno, Zezé Gonzaga e Jane Duboc, etc.

Esse CD do Noite Ilustrada, Resgatando, seria bonito se não tivesse uma instrumentação horrorosa, arranjos com aquele órgão - sabem, aquele? - fazendo as introduções e alguns solos. Que pecado!
___________________

Enviado por: Roberta
[ Editar ] | [ Excluir ] | [ Gerenciar Comentários (2) ]

26/09/2004 18:54:56
Fico muito triste por não ter tempo de atualizar este blog, mas realmente não dá. Desde o princípio eu sabia que seria assim, sou muito indisciplinada. Seja lá como for, adoro escrever aqui e virei sempre que eu puder.

Discos da semana

Ouvi muito Jacob do Bandolim e Riachão, compositor baiano que eu tive a honra de acompanhar na sexta passada. Que fôlego, gente, que arraso. Riachão tem mais fôlego que a nossa banda toda, é mesmo impressionante. Ele é o máximo. (foto de Ricardo Moreira)


Enviado por: Roberta
[ Editar ] | [ Excluir ] | [ Gerenciar Comentários (5) ]

04/09/2004 14:40:28
Índice do conteúdo do blog São Coisas Nossas

Se eu entendesse alguma coisa de html e afins colocaria este índice fora do conteúdo do blog, mas como não manjo necas, vai aqui mesmo, caso alguém queira encontrar alguma música. Juro que qualquer hora aprendo e publico no lugar certo.

Músicas

1.A Borboleta e o Passarinho (Tereza Cristina) (abr/2004)
2.A Deusa da Minha Rua (Newton Teixeira e Jorge Faraj) (jun/2004)
3.A História de Lily Braum (Chico Buarque e Edu Lobo) (jul/2004)
4.A Lua e o Conhaque (Délcio Carvalho/Afonso Machado/Luiz Moura) (abr/2004)
5.A Mais Bonita (Chico Buarque) (jul/2004)
6.A Mulher que eu Gosto (Ciro de Souza e Wilson Batista) (fev/2004)
7.A Noite do Meu Bem (Dolores Duran, 1959) (mai/2004)
8.A Outra Banda da Terra (Caetano Veloso) (mai/2004)
9.A Rosa (Chico Buarque) (jul/2004)
10.A Violeira (Chico Buarque e Tom Jobim) (jul/2004)
11.Acariciando (Abel Ferreira/Lourival Faissal) (abr/2004)
12.Acreditar (Délcio Carvalho/D. Ivone Lara) (abr/2004)
13.Ai de Mim (All of Me) (Simons/Marks, versão de Neuza de Souza) (mai/2004)
14.Ainda Mais (Eduardo Gudin e Paulinho da Viola) (ago/2004)
15.Apesar de Você (Chico Buarque) (jul/2004)
16.Até Pensei (Chico Buarque) (abr/2004)
17.Até Pensei (Chico Buarque) (jul/2004)
18.Atrás da Porta (Chico Buarque e Francis Hime) (jul/2004)
19.Bailorena/Estrelas Mil (Kaluca - Paulinho P. Azul) (jun/2004)
20.Basta de Clamares Inocência (Cartola) (mar/2004)
21.Beatriz (Chico Buarque e Edu Lobo) (jul/2004)
22.Beijo Partido (Toninho Horta) (mai/2004)
23.Benvinda (Chico Buarque) (jul/2004)
24.Bobagens, Meu Filho, Bobagens (Marina Lima e Antônio Cícero) (mai/2004)
25.Boca de Siri (Wilson Batista e Germano Augusto) (jun/2004)
26.Bolero de Satã (Guinga/Paulo César Pinheiro) (mar/2004)
27.Bons Amigos (Toninho Horta/Ronaldo Bastos) (mai/2004)
28.Cabô, Meu Pai (Moacyr Luz, Luiz Carlos da Vila e Aldir Blanc) (abr/2004)
29.Cabrochinha (Maurício Carrilho e Paulo César Pinheiro) (jul/2004)
30.Cala a Boca, Bárbara (Chico Buarque e Ruy Guerra) (jul/2004)
31.Camisa Amarela (Ary Barroso) (ago/2004)
32.Candeias (Edu Lobo) (mar/2004)
33.Cansei de Esperar (D. Ivone Lara e Délcio Carvalho) (mai/2004)
34.Canto Triste (Edu Lobo e Vinícius de Moraes) (mar/2004)
35.Capitu (Luiz Tatit) (jun/2004)
36.Carolina (Chico Buarque) (jul/2004)
37.Castigo (Dolores Duran) (mai/2004)
38.Céu Cor-de-rosa (Indian Summer) (Victor Herbert e Al Dublin, versão de Haroldo Barbosa) (mai/2004)
39.Chegou o Dia (Geraldo Pereira/Elpídio Viana) (abr/2004)
40.Choro Bandido (Chico Buarque e Edu Lobo) (jul/2004)
41.Clara Paixão (Nonato Buzar/Rosinha de Valença/S. Benchimol) (mar/2004)
42.Coisa Mais Linda (Carlos Lyra e Vinícius de Moraes) (mai/2004)
43.Coisas do Mundo, Minha Nega (Paulinho da Viola) (mai/2004)
44.Com Açúcar, com Afeto (Chico Buarque) (jul/2004)
45.Cristo nasceu na Bahia (Sebastião Cirino e Duque, 1926) (mai/2004)
46.Dá-me Tuas Mãos (Roberto Martins e Mário Lago) (mai/2004)
47.De Onde Vens (Dori Caymmi/Nelson Motta) (fev/2004)
48.Dei Liberdade (D. Ivone Lara) (abr/2004)
49.Desalento (Chico Buarque e Vinícius de Morais) (jul/2004)
50.Desencontro (Chico Buarque) (jul/2004)
51.Diana (Toninho Horta e Fernando Brant) (mai/2004)
52.Doce de Coco (Hermínio Bello de Carvalho/Jacob do Bandolim) (jun/2004)
53.Dos Meus Braços Tu Não Sairás (Roberto Roberti) (mai/2004)
54.Dream a Little Dream of Me (Gus Kahn/Wilbur Schwandt/Andres Fabian) (jun/2004)
55.Durango Kid (Toninho Horta e Fernando Brant) (mai/2004)
56.É Hoje (Didi e Mestrinho) (mai/2004)
57.E Lá se Vão Meus Anéis (Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro) (ago/2004)
58.Eclipse Oculto (Caetano Veloso) (mai/2004)
59.Embarcação (Chico Buarque e Francis Hime) (jul/2004)
60.Ensaio do Dia (Eduardo Gudin/Costa Netto) (mar/2004)
61.Estrada do Sertão (João Pernambuco/Hermínio B. de Carvalho) (mar/2004)
62.Estrada do Sol (Dolores Duran/Tom Jobim, 1958) (mai/2004)
63.Eu não Sou Daqui (Wilson Batista/Ataulfo Alves) (jun/2004)
64.Eu Te Amo (Chico Buarque e Tom Jobim) (jul/2004)
65.Fado Tropical (Chico Buarque e Ruy Guerra) (jul/2004)
66.Fala Baixinho (Pixinguinha e Hermínio Bello de Carvalho) (mar/2004)
67.Fim de caso (Dolores Duran, 1959) (mai/2004)
68.Fruta Boa (Milton Nascimento/Fernando Brant) (mar/2004)
69.Futuros Amantes (Chico Buarque) (jul/2004)
70.Grau Dez (Lamartine Babo e Ary Barroso, 1935) (fev/2004)
71.Imagina (Chico Buarque e Tom Jobim) (jul/2004)
72.Injuriado (Chico Buarque) (jul/2004)
73.Já Era (Palavra) (Mauro Duarte) (abr/2004)
74.Janelas Abertas (Tom Jobim e Vinícius de Morais) (jun/2004)
75.Januária (Chico Buarque) (jul/2004)
76.João e Maria ((Chico Buarque e Sivuca) (jul/2004)
77.Julieta (Noel Rosa e Frazão) (mai/2004)
78.Jura Secreta (Sueli Costa/Abel Silva) (jun/2004)
79.Linda Flor (Luiz Peixoto/Marquês Porto/Henrique Vogeler/Cândido Costa) (jun/2004)
80.Loura ou Morena (Vinícius de Moraes e Haroldo Tapajós) (mai/2004)
81.Lua Cheia (Chico Buarque e Toquinho) (jul/2004)
82.Ludo Real (Chico Buarque e Vinicius Cantuária) (jul/2004)
83.Manuel, o Audaz (Toninho Horta e Fernando Brant) (mai/2004)
84.Maria (Ary Barroso e Luiz Peixoto) (ago/2004)
85.Mas Quem Disse que Eu te Esqueço (D. Ivone Lara e Hermínio Bello de Carvalho) (abr/2004)
86.Medo de Amar (Vinícius de Moraes) (mar/2004)
87.Meio-dia, meia lua (Chico Buarque e Edu Lobo) (jul/2004)
88.Meninos, Eu Vi (Chico Buarque e Tom Jobim) (jul/2004)
89.Meu Rádio e Meu Mulato (Herivelto Martins) (jun/2004)
90.Meus Vinte Anos (Wilson Batista e Silvio Caldas) (mar/2004)
91.Mil Perdões (Chico Buarque) (jul/2004)
92.Molambo (Jayme Florence e Augusto Mesquita, 1952) (mar/2004)
93.Mordaça (Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro) (mai/2004)
94.Mulher (Custódio Mesquita e Sadi Cabral) (mai/2004)
95.Mundo Melhor (Vinícius de Moraes e Pixinguinha) (mar/2004)
96.Musical (Péricles Cavalcanti) (mai/2004)
97.Nada Além (Custódio Mesquita e Mário Lago) (mai/2004)
98.Naná (Custódio Mesquita, Jardel e Geysa Bôscoli) (mai/2004)
99.Não me Culpes (Dolores Duran, 1958) (mai/2004)
100.Não Troquemos de Mal (Jorge Faraj e H. Brito) (mai/2004)
101.Nega Manhosa (Herivelto Martins) (jun/2004)
102.Nenhuma Lágrima (Sueli Costa) (mai/2004)
103.Neste Mesmo Lugar (Klécius Caldas e Armando Cavalcanti) (mar/2004)
104.Ninguém me Ama (Antônio Maria e Fernando Lobo) (mai/2004)
105.No Olhar de Juliana (Paulinho Pedra Azul) (jun/2004)
106.No Rancho Fundo (Ary Barroso e Lamartine Babo) (ago/2004)
107.Noite Sem Luar (Godofredo Guedes) (jun/2004)
108.Nostradamus (Eduardo Dussek) (jan/2004)
109.Noturno em Tempo de Samba (Custódio Mesquita e Evaldo Ruy, 1944)(mar/2004)
110.Nova Ilusão (Pedro Caetano e Claudionor Cruz) (jun/2004)
111.O Amor e a Rosa (Antônio Maria e João Pernambuco) (mai/2004)
112.O Cantador (Dori Caymmi e Nelson Motta) (mar/2004)
113.O Habitat da Felicidade (Lula Queiroga/Lucky Luciano) (jun/2004)
114.O Meu Guri (Chico Buarque) (jul/2004)
115.O Negócio é Amar (Dolores Duran e Carlos Lyra) (mai/2004)
116.Obra-prima (Lúcio Cardim e Norberto Pereira) (abr/2004)
117.Olha o Tempo Passando (Dolores Duran e Edson Borges, 1959) (mai/2004)
118.Olhar Brasileiro (Eduardo Dussek/Luis Carlos Goes) (jan/2004)
119.Olhos Negros (Custódio Mesquita e Ary Monteiro) (mai/2004)
120.Ontem ao Luar (Catulo da Paixão Cearense e Pedro de Alcântara) (mar/2004)
121.Os Meninos da Mangueira (Rildo Hora e Sérgio Cabral, 1980) (abr/2004)
122.Outra Você não me Faz (D. Ivone Lara) (abr/2004)
123.Paciente (Pixinguinha e Daniel Santos, gravada por César Costa Filho no lp Nina) (mar/2004)
124.Para Falar a Verdade (Sérgio Cabral e Rildo Hora, gravação de Maria Creuza) (abr/2004)
125.Peter Gast (Caetano Veloso) (mai/2004)
126.Piano na Mangueira (Chico Buarque e Tom Jobim) (jul/2004)
127.Pois é (Chico Buarque e Tom Jobim) (jul/2004)
128.Pois é (Chico Buarque e Tom Jobim) (abr/2004)
129.Por Causa de Você (Tom Jobim/Dolores Duran, 1957) (mai/2004)
130.Pra Machucar Meu Coração (Ary Barroso) (ago/2004)
131.Pra Que Discutir com Madame (Janet de Almeida e Haroldo Barbosa, 1956) (mar/2004)
132.Precisamos de Amores (Paulinho Pedra Azul) (jun/2004)
133.Presente (Zé Miguel Wisnik) (jun/2004)
134.Procissão de Sexta-feira Santa (Paulinho Nogueira) (mar/2004)
135.Promessa (Custódio Mesquita e Evaldo Ruy, 1943) (mar/2004)
136.Quando Esse Nego Chega (Haroldo Barbosa) (jun/2004)
137.Quem Canta Seus Males Espanta (Itamar Assumpção) (jun/2004)
138.Quero Ir a Cuba (Caetano Veloso) (mai/2004)
139.Recado Para um Amigo Solitário (Paulinho Pedra Azul) (jun/2004)
140.Refém da Solidão (Baden Powell/Paulo César Pinheiro) (mai/2004)
141.Renúncia (Roberto Martins e Mário Rossi) (mai/2004)
142.Retrato em Branco e Preto (Chico Buarque e Tom Jobim) (jul/2004)
143.Sábado em Copacabana (Carlos Guinle/Dorival Caymmi) (jun/2004)
144.Sabiá (Chico Buarque e Tom Jobim) (jul/2004)
145.Salva-Vida (Caetano Veloso) (mai/2004)
146.Samba e Amor (Chico Buarque) (jul/2004)
147.Sambei Vinte e Quatro Horas (Haroldo Lobo e Wilson Batista) (mar/2004)
148.São Coisas Nossas (Noel Rosa, 1932) (mar/2004)
149.Se Eu Fosse o Teu Patrão (Chico Buarque) (jul/2004)
150.Sem Fim (Novelli e Cacaso) (jul/2004)
151.Simplesmente (Paulinho Nogueira) (mar/2004)
152.Sinhazinha (Despertar) (Chico Buarque) (jul/2004)
153.Solidão (Dolores Duran, 1958) (mai/2004)
154.Sorri (Elton Medeiros e Zé Ketti) (abr/2004)
155.Sorri (Smile) (Charles Chaplin, Geofreu Parsons e John Turner–Versão:João de Barro) (abr/2004)
156.Tango do Covil (Chico Buarque) (jul/2004)
157.Tatuagem (Chico Buarque e Ruy Guerra) (jul/2004)
158.Tem Mais Samba (Chico Buarque) (jul/2004)
159.Ternura Antiga (Dolores Duran e J. Ribamar, 1960) (mai/2004)
160.Teu Triste Olhar (Paulinho Pedra Azul) (jun/2004)
161.Tira as Mãos de Mim (Chico Buarque e Ruy Guerra) (jul/2004)
162.Tô (Tom Zé e Elton Medeiros) (jun/2004)
163.Todo o Sentimento (Chico Buarque e Cristóvão Bastos) (jul/2004)
164.Três Lágrimas (Ary Barroso) (mai/2004)
165.Tu (Ary Barroso) (ago/2004)
166.Último Desejo (Noel Rosa) (mai/2004)
167.Um Calo de Estimação (Zé da Zilda e José Thadeu) (abr/2004)
168.Um Chorinho (Chico Buarque) (jul/2004)
169.Um Novo Sonho (Paulinho Pedra Azul) (jun/2004)
170.Unha de Gato (Elton Medeiros e Antonio Valente) (mar/2004)
171.Uns (Caetano Veloso) (mai/2004)
172.Vai (Menina Amanhã de Manhã) (Tom Zé e Perna) (jul/2004)
173.Vai Levando (Chico Buarque e Caetano Veloso) (jul/2004)
174.Vai Passar (Chico Buarque e Francis Hime) (jul/2004)
175.Veneno (Paulo César Pinheiro e Eduardo Gudin) (mar/2004)
176.Verde (Eduardo Gudin e Costa Netto) (ago/2004)
177.Vingança (Francisco Mattoso e José Maria de Abreu) (jul/2004)
178.Vírgula (Alberto Ribeiro e Erastótenes Frazão) (fev/2004)
179.Você É Linda (Caetano Veloso) (mai/2004)
180.Você Só Mente (Noel Rosa e Hélio Rosa) (mai/2004)
181.Você Vai me Seguir (Chico Buarque e Ruy Guerra) (jul/2004)

Poemas

1.Aqui na orla da praia, mudo e contente do mar (Fernando Pessoa) (jun/2004)
2.Desejo (Vitor Hugo) (fev/2004)
3.A bunda, que Engraçada (Carlos Drummond de Andrade) (mar/2004)
4.Aviso da Lua que Menstrua (Elisa Lucinda) (mar/2004)
5.Recesso (Claudia Castanheira) (mar/2004)
6.Caso do Vestido (Carlos Drummond de Andrade) (mai/2004)
7.Contemplo o lago mudo (Fernando Pessoa) (jun/2004)
8.Caminho a teu lado mudo (Fernando Pessoa) (jun/2004)
9.Bóiam leves, desatentos (Fernando Pessoa) (jun/2004)
10.As coisas que errei na vida (Fernando Pessoa) (jun/2004)
11.Autopsicografia (Fernando Pessoa) (jun/2004)
12.Aquilo que a gente lembra (Fernando Pessoa) (jun/2004)
13.Aqui neste profundo apartamento (Fernando Pessoa) (jun/2004)

Textos

1.Amor Só de Letras (Mário Prata) (mar/2004)
2.Canção das Mulheres (Lya Luft) (mar/2004)
3.E isso de ser jornalista? (Zuenir Ventura) (mar/2004)
4.No Ar: PRK-30 – Hora da Ginástica (ago/2004)

Enviado por: Roberta
[ Editar ] | [ Excluir ] | [ Gerenciar Comentários (7) ]

31/08/2004 12:13:40
Eduardo Gudin

Ele é um dos meus compositores prediletos aqui de SP.
Tem treze discos gravados, mas a maioria não foi lançada em CD. Eu poderia ficar horas aqui falando sobre suas músicas, lindas, seus discos, impecáveis, mas não há tempo. Então vou colocar um link para o site dele, www.eduardogudin.com.br, não deixem de visitar. E algumas poucas letras, só para homenageá-lo, quando eu estiver com mais tempo vou escrever muitas outras. Detalhe importante: Gudin é um dos donos do famoso e tradicional Bar do Alemão, na Av. Antártica, nas Perdizes (SP). Altas rodas estão acontecendo ali. Às segundas, por exemplo, o grande (literalmente) Arismar do Espírito Santo tem promovido uma noite bem animada, sempre com talentosos músicos dando canja.
Gudin é um luxo!!!!!!



Ainda Mais
Eduardo Gudin/ Paulinho da Viola

Foi como tudo na vida
Que o tempo desfaz
Quando menos se quer
Uma desilusão assim
Faz a gente perder a fé
E ninguém é feliz, viu
Se o amor não lhe quer
Mas, enfim
Como posso fingir em pensar em você
Como um caso qualquer
Se entre nós tudo terminou
Eu ainda não sei, mulher
Mas por mim não irei renunciar
Antes de ver o que eu não vi
Em seu olhar
Antes que a derradeira chama que ficou
Não queira mais queimar

Vai
Que toda verdade de um amor
O tempo traz
Quem sabe um dia você volta para mim
E amando ainda mais.

E Lá se Vão Meus Anéis
(Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro)

Lá se vão meus anéis
Diz o refrão
Mas meus dedos são dez
Duas mãos
E a mulher que tu és
Oh, não
Isso não são papéis, não são
Não merece os meus réis de pão
Mete os pés pelas mãos
Todos sabem que o meu coração
É uma casa aberta não sei por quê
Portas e janelas dão pra você
Dão, deram e darão
É porque a chave do meu coração
Somente o teu coração pode abrir
E lá vai meu coração por aí
Mas não perdoa não
E lá se vão meus anéis.

Lá se vão meus anéis
Outros virão
Nas primeiras marés encho as mãos
Mas me pôr aos teus pés
Oh, não
Nem que fosse o que resta então
Nem que virem cruéis os bons
E infiéis os cristãos.

Verde
(Eduardo Gudin/Costa Netto)

Quem
Pergunta por mim
Já deve saber
Do riso no fim
De tanto sofrer
Que eu não desisti
Das minhas bandeiras
Caminhos, trincheiras
Da noite
Eu
Que sempre apostei
Na minha paixão
Guardei um país
No meu coração
Um foco de luz
Seduz a razão
De repente a visão
Da esperança
Quis
Esse sonhador
Aprendiz
De tanto suor
Ser feliz
Num gesto de amor
Meu país
Acendeu a cor

Verde
As matas no olhar
Ver de perto
Ver
De novo um lugar
Ver adiante
Sede de navegar
Verdejantes tempos
Mudança dos ventos
No meu coração.

Enviado por: Roberta
[ Editar ] | [ Excluir ] | [ Gerenciar Comentários (5) ]

18/08/2004 14:12:45
Ary Barroso

Ah, como eu amo as músicas desse grande compositor e pianista... Vou escrever algumas letras aqui, mas volto em breve pra colocar os detalhes das gravações, pois agora não dá ;-)

Camisa Amarela
(Ary Barroso, 1939)

Encontrei o meu pedaço na avenida de camisa amarela
Cantando a Florisbela, oi
A Florisbela
Convideio-o a voltar pra casa em minha companhia
Exibiu-me um sorriso de ironia
E desapareceu no turbilhão da galeria
Não estava nada bom
O meu pedaço, na verdade, estava bem mamado
Bem chumbado, atravessado
Foi por aí cambaleando
Se acabando num cordão
Com o reco-reco na mão
Mais tarde, o encontrei num café
Zurrapa do Largo da Lapa
Folião de raça
Bebendo o quinto copo de cachaça
Isto não é chalaça...

Voltou às sete horas da manhã
Mas só na quarta-feira
Cantando a Jardineira, oi
A Jardineira
Me pediu, ainda zonzo, um copo d'água com bicarbonato
O meu pedaço estava ruim de fato
Pois caiu na cama e não tirou nem o sapato
Roncou uma semana
Despertou mal-humorado
Quis brigar comigo
Que perigo!
Mas não ligo
O meu pedaço me domina, me fascina, ele é o tal
Por isso não levo a mal
Pegou a camisa
A camisa amarela
Botou fogo nela
Gosto dele assim
Passada a brincadeira
Ele é pra mim
(Meu Senhor do Bonfim!)

Pra Machucar Meu Coração
(Ary Barroso, 1943

Tá fazendo um ano e meio, amor
Que o nosso lar desmoronou
Meu sabiá, meu violão
E uma cruel desilusão
Foi tudo que ficou
Ficou
Pra machucar meu coração

Quem sabe não foi bem melhor assim
Melhor pra você e melhor pra mim
A vida é uma escola
Onde a gente precisa aprender
A ciência de viver pra não sofrer.

Maria
(Ary Barroso/Luiz Peixoto, 1932)

Maria
O teu nome principia
Na palma de minha mão
E cabe bem direitinho
Dentro do meu coração, Maria
Maria, de olhos claros, cor do dia
Como os de Nosso Senhor
Eu por vê-los tão de perto
Fiquei ceguinho de amor, Maria

No dia, minha querida
Em que juntinhos da vida
Nós dois nos quisermos bem
A noite em nosso cantinho
Hei de chamar-te baixinho
Não hás de ouvir mais ninguém, Maria
Maria, era o nome que eu dizia
Quando aprendi a falar
Da vozinha, coitadinha
Que eu não canso de chorar, Maria

E quando eu morar contigo
Tu hás de ver que perigo
Que isso vai ser, ai, meu Deus!
Vai nascer todos os dias
Uma porção de Marias
De olhinhos da cor dos teus, Maria
Maria...

No Rancho Fundo
(Ary Barroso/Lamartine Babo, 1931)

No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Onde a dor e a saudade
Contam coisas da cidade
No rancho fundo
De olhar triste e profundo
Um moreno conta as mágoas
Tendo os olhos rasos d'água
Pobre moreno
Que de tarde no sereno
Espera a lua no terreiro
Tendo o cigarro por companheiro
Sem um aceno
Ele pega da viola
E a lua por esmola
Vem pro quintal desse moreno
No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Nunca mais houve alegria
Nem de noite nem de dia
Os arvoredos já não contam mais segredos
E a última palmeira já morreu na cordilheira
Os passarinhos internaram-se nos ninhos
De tão triste esta tristeza
Enche de trevas a natureza
Tudo por quê? Só por causa do moreno
Que era grande, hoje é pequeno
Para uma casa de sapê

Se Deus soubesse
Da tristeza lá serra
Mandaria lá pra cima
Todo o amor que há na Terra
Porque o moreno vive louco de saudade
Só por causa do veneno
Das mulheres da cidade
Ele que era o cantor da primavera
Que até fez do rancho fundo
O céu maior que tem no mundo
O sol queimando
Se uma flor lá desabrocha
A montanha vai gelando lembrando o aroma da cabrocha.

Tu
(Ary Barroso, 1934)

Teu olhar é um sonho azul
Teu sorriso, uma promessa louca
Teus lábios, duas jóias de coral
No engaste sensual de tua boca

O mais lindo luar, tu
A grandeza do mar, tu
Só te quero a ti
Só te vejo a ti
Só palpito por ti
És minha vida, querida!

Enviado por: Roberta
[ Editar ] | [ Excluir ] | [ Gerenciar Comentários (5) ]

08/08/2004 23:55:13
Escola Portátil de Música

Há umas três semanas estive em Vassouras, no Rio de Janeiro, para participar de uma oficina de Choro promovida pela Escola Portátil de Música.

A oficina foi emocionante. Não posso deixar passar em branco, tenho que registrar aqui o sucesso deste evento. Parabéns aos incansáveis Luciana Rabello e Maurício Carrilho que, além do trabalho exemplar que fazem na Acari, única gravadora especializada em choro, também estão à frente deste projeto, ao lado de grandes parceiros, como a pesquisadora e violonista Anna Paes, o bandolinista Pedro Aragão, dentre outros.

As aulas aconteceram numa escola pública e foram estimulantes, o dia todo, não dava vontade de parar. Os alunos estavam animadíssimos. A organização do evento – que coube, se não me engano, à Sarau Produções, foi impecável. Fiquei num hotel maravilhoso, com preço muuuito acessível, graças à parceria da Escola Portátil de Música com os hotéis da região. Um caderno da Oficina de Choro era distribuído a todos os alunos, contendo diversas partituras e um CD. Um ótimo material, nos moldes dos belos cadernos de choro lançados pela Acari. Ah, sim, e ganhamos uma camiseta também. É importante lembrar que tudo isso só foi possível graças à El Paso, empresa que patrocinou toda a oficina.

Quero fazer um apelo à Elpaso: por favor, traga esta oficina para São Paulo. Quem sabe vocês não conseguem uma parceria com alguma unidade do Sesc São Paulo? Este trabalho é exemplar, maravilhoso, e tem que ser divulgado por todo o Brasil.

A simpatia de todos os professores, em sua maioria com suas famílias (namorados (as), maridos, esposas, filhos, pais, mães), merece destaque. Foram 4 dias de atividades intensas, fico pensando: quantos alunos que conheci lá não vão se profissionalizar?

No último dia, os professores organizaram uma orquestra, cheguei a chorar de emoção. Adolescentes tocando clarinete, sax, baixo, violino, etc. Foi muuuito prazeroso participar e assistir de perto o trabalho destes mestres, em especial do Celsinho Silva, "meu" professor de pandeiro. Isso sem contar os diversos amigos que fiz, alunos e professores da Oficina de Choro no Rio, pessoas que adorei conhecer.

Quero agradecer a todos pelo carinho e pela iniciativa. El Paso, tomara que várias empresas brasileiras sigam seu exemplo. Parabéns!!!!!!!

Enviado por: Roberta
[ Editar ] | [ Excluir ] | [ Gerenciar Comentários (6) ]

01/08/2004 20:43:24
No Ar: PRK-30

Queridos amigos, sumi de novo, né? Mas juro que "voltei pra ficar porque senti saudades..."

Já comentei aqui sobre o excelente livro de Paulo Perdigão: No Ar, PRK-30, lançado no ano passado (que traz dois cds), que fala sobre "o mais famoso programa de humor da era do rádio", feito por Castro Barbosa e Lauro Borges.

Vou trascrever aqui alguns trechos, mas já aviso que não tem o mesmo efeito de ouvir os programas:

"Hora da Ginástica"

Professor Reinaldo Muniz Magalhães (Lauro Borges): "Vamos fazer agora o exercício 333.333 vírgula 3. Olhem bem na gravura. Todos de cócoras com os pés pra cima. Isso! Vamos dar 50 pulos pra frente. Assim, assim, assim... Respirando somente pela boca e pelo ouvido esquerdo. Agora, quero ver todos marchando ao som desta bonita valsa vienense. (Piano toca Pirata da Perna de Pau). Vamos marchar com alegria. Um, dois, um dois, três, quatro, 47, 52... Alto! Agora respirem com força, para fora. O senhor aí, de casaca amarela, não respire com tanta força! Pode faltar ar para os outros. Não seja egoísta!"

"Agora, todos de quatro no chão para o exercício chamado de 'cachorrinho'. Isso! Levante a perninha direita, abaixe a perninha direita, levante a perninha direita..."

Megatério: "Um momento, professor, mas esse 'cachorrinho' só levanta a perninha direita por quê?"

Professor: "É porque ele é canhoto. Vamos ao exercício chamado 'saca-rolha', que é feito com ajuda de uma pessoa da família. Um: pegue a pessoa e vá torcendo seu pescoço com toda a força para a direita, assim como a gente torce o pescoço de um frango. Vá torcendo até estalar. Segure firme. Não se incomode com os olhos da pessoa, que ficam espichados como sapo-boi. Não solte. Depois, sim, a cara do parceiro já deve estar meio estúpida. Se ele desmaiar, não se preocupe: um balde d'água pode ser que faça a pessoa voltar a si outra vez. Este exercício é ótimo. Facilita a gente virar a cabeça por todas as posições e dar três ou quatro voltas completas ao redor do corpo."

Megatério: "Isso é que é conforto! A gente se vê por todos os lados sem espelho. Uma maravilha!"

Professor: "Passemos ao exercício que se intitula 'boa bola'. É um exercício só para homens, porque é um pouco pesado, violento. Atenção! Os senhores ginasticistas devem fazer esse exercício completamente vestidos, de calça, colete, paletó, gravata, como se fossem sair. Vamos começar! Primeiro, passem a perna esquerda por cima da cabeça e enfiem o pé direito no bolso traseiro do lado esquerdo da calça. Isso! Faça força que vai! Agora, pegue o pé que sobrou e faça a mesma coisa com ele: enfie-o no bolso traseiro da calça que está vazio. Meu amigo: você está quase redondinho, você está quase uma bola! Só sua cabeça que está atrapalhando! Pegue sua cabeça e enfie-a no bolso do colete. Isso! Agora, você é capaz de ir rolando até a porta do seu escritório, da sua repartição, de sua fábrica, sem gastar dinheiro, sem perder tempo esperando condução. Chegando lá, você desmancha essa bola e vai trabalhar disposto, alegre, satisfeito."
"Deitem-se agora de costas para o chão e levantem as perninhas pra cima, como se fossem um franguinho assado de confeitaria. Agora vamos dar um forte impulso pra cima, subir uns três ou quatro metros de altura e, ao cair, vamos todos plantar uma bananeira de cabeça pra baixo. Atenção, já! Isso! Gostei de ver! Dizem que todo homem deve ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore. E assim, com esse exercício, você, meu ouvinte, já cumpriu uma dessas missões plantando uma bananeira."
"Agora, abram bem os braços pra trás. Levante o calcanhar esquerdo e coloque-o debaixo do sovaco do mesmo lado. Não saia dessa posição nem que um marimbondo lhe morda a ponta do nariz! Atenção aí: o senhor, de calção rasgado, não fuja. Encoste-se na parede e faça seu exercício. Todos firmes! Posição de sentido! Levante um pé acima da cabeça. Agora levante o outro. (Ruído) Ih, desculpem. Rasguei o calção!"

Megatério: "Amigos ouvintes, pausa para mudar o calção."

Enviado por: Roberta
[ Editar ] | [ Excluir ] | [ Gerenciar Comentários (4) ]

11/07/2004 21:49:57
Mônica Salmaso



Ganhei da minha querida 'boadrasta' o belíssimo Iaiá, finalmente. Está muito lindo. A música que eu mais gostei (por enquanto ;-) é a regravação de Vingança, com acordeon e arranjo de Toninho Ferragutti e clarinete, sax alto e arranjo de sopros de Proveta:

Vingança
(Francisco Mattoso e José Maria de Abreu)

Lá na beira do roçado,
Onde a tristeza não vem
Eu vivia sossegado
Com a viola do meu lado
Mais feliz do que ninguém

Numa festa no arraiá
Vi dois óio me olhá
Decidi no improviso,
Ela me deu um sorriso
E comigo foi morar

Nunca mais fui cantador
E a viola descansou
Eu vivia pra cabocla
Eu vivia pra cabocla
Só pensava em meu amor

Nunca fui feliz assim
Eu mesmo disse pra mim
Pensei que a felicidade
Pensei que a felicidade
Não pudesse ter um fim

Mas um dia a malvada
Foi-se embora e me esqueceu
Com um caboclo decidido
Juca Antônio conhecido
Cantador mais do que eu

Já cansado de esperar
Desisti de procurar
A cabocla que um dia
Levou minha alegria
Eu jurei de me vingar

Numa festa fui cantar
E a mulata tava lá
Juro por Nossa Senhora
Juro por Nossa Senhora
Que a cabocla eu quis matar

Mas fiquei sem respirar
Quando vi ela dançar
Ela tava tão bonita
Ela tava tão bonita
Que esqueci de me vingar.
________________________
Gravada originalmente em 1935 por Gastão Formenti e Orchestra Victor Brasileira, lançada em 1936. A gravação original é bonita, mas esta regravação está um primor.

Outra que amei:

Cabrochinha
(Maurício Carrilho e Paulo César Pinheiro)

Ô, cabrochinha
Venha ver quem chegou
Chegou no bico do sapato
O seu mulato flozô
Bota um vestido curto
Aquele justo lilás
Que tem um corte do lado
E um decote atrás

Dei sorte na loteca
E uma merreca pintou
Repara só na beca
Que o teu nego comprou
Vou te levar pra jantar
Cabrochinha, dessa vez
Num restaurante francês

Mas “sivuplé”, ô, “messiê” garçon
Leva o menu que eu não entendo lhufas
Eu vou pedir esse Don Perignon
Um escargot e um filet com trufas
Depois daquela sobremesa que flamba
A gente volta pro samba
A gente encerra o glamour
No fim da noite um bangalô
Penhoar e um abajur
Pra gente fazer l’amour
L’amour toujour.
_______________________
Também excelente. Já conhecia a gravação da Família Roitman.

Sinhazinha (Despertar)
(Chico Buarque)

Tá na hora de acordar, sinhazinha
Que tem muito o que fazer
Tem cabeça pra tratar
Tem que ler caderno B
Hora no homeopata
Fita no vídeo-clube
Tá na hora de acordar
Tem a vida pra viver
Tem convite pra dançar
Telefone pra você
Namorado pra brigar
Vinho branco pra esquecer

Tá na hora de acordar, sinhazinha
Eu não chamo uma outra vez
Que tem búzio pra jogar
Tem massagem no chinês
Instituto de ioga
Coleção nas vitrines
Tá na hora de acordar
Tá na idade de querer
Namorado pra casar
Casamento pra sofrer
A cabeça pra dançar
E a vontade de morrer
Disco novo pra rodar
Vinho branco pra esquecer.
__________________________
Um belo arranjo e piano de André Mehmari. Sinhazinha já foi gravada por Djavan no lp Para Viver um Grande Amor.

Vai (Menina Amanhã de Manhã)
(Tom Zé e Perna)

Menina amanhã de manhã
Quando a gente acordar quero te dizer
Que a felicidade vai desabar sobre os homens
Vai desabar sobre os homens
Vai desabar sobre os homens

Na hora ninguém escapa
Debaixo da cama, ninguém se esconde
A felicidade vai desabar sobre os homens
Vai desabar sobre os homens
Vai desabar sobre os homens

Menina, ela mete medo
Menina ela fecha a roda
Menina não tem saída
De cima, de banda ou de lado

Menina olhe pra frente
Menina, todo cuidado
Não queira dormir no ponto
Segure o jogo, atenção de manhã

Menina a felicidade
É cheia de praça, é cheia de traça
É cheia de lata, é cheia de graça

Menina a felicidade
É cheia de pano, é cheia de pena
É cheia de sino, é cheia de sono

Menina a felicidade
É cheia de ano, é cheia de Eno
É cheia de hino, é cheia de ONU

Menina a felicidade
É cheia de an, é cheia de en
É cheia de in, é cheia de on

Menina a felicidade
É cheia de a, é cheia de é
É cheia de i, é cheia de ó.
___________________________
Esta música é muito alto astral. Foi gravada por Tom Zé no lp Estudando o Samba e pelo Trio Mafuá.

As demais músicas do CD são: Estrela de Oxum (Rodolfo Stroeter e Joyce), Moro na Roça (adapt. de Xangô da Mangueira e Zagaia), Por toda a minha vida, (Tom Jobim e Vinícius de Moraes), Assum branco (José Miguel Wisnik), Cidade lagoa, (Sebastião Fonseca e Cícero Nunes), Doce na feira (Jair do Cavaquinho e Altair Costa), Onde ir (Vanessa da Mata), É doce morrer no mar (Dorival Caymmi) e Na aldeia (Sílvio Caldas, De Chocolat e Carusinho).

Grandes músicos participam deste CD, vou citar só alguns, além dos já citados, pra vcs sentirem o clima: Maurício Carrilho, Luciana Rabello, Robertinho Silva, Celsinho Silva, Teco Cardoso, Jorginho Silva, Paulo Bellinati, Benjamim Taubkin, Sujeito a Gincho, Teresa Cristina, Caíto Marcondes, etc.

Enviado por: Roberta
[ Editar ] | [ Excluir ] | [ Gerenciar Comentários (6) ]

07/07/2004 06:28:23
Aniversário

Hoje faço 34 anos, com corpinho de 33 e cabeça de 70. Me sinto com 50, mas como diz uma amiga minha, abafa o caso ;-)

Ontem ouvi um disco que há muitos, muitos anos estava fora da minha vitrola: Miltons , do Milton Nascimento. Que delícia. O solo de piano de Herbie Hancock na música San Vicente é um absurdo. Como pude ficar tantos anos sem ouvir essa maravilha eu não sei. Além de Fruta Boa, do Milton com o Fernando Brant, que eu amo loucamente, tenho que citar Sem Fim, pérola do Novelli e do Cacaso:

Quando me larguei
Lá de onde eu vim
Chão de sol a sol
Ramo de alecrim
Paletó de brim
Tempo tão veloz
Não chamei meu pai
Minha mãe não viu
Desgarrei de nós
Quando dei por mim
Um sertão sem fim
Pelo meu redor
Coração, não deixe de bater

Quando o meu amor
Disse adeus pra mim
Eu perdi a voz
Quis dizer que sim
Mas me desavim
E fiquei menor
Não achei meu pai
Minha mãe saiu
Me senti tão só
Procurei por mim
Um desvão sem fim
Pelo meu redor
Coração, não deixe de bater.
___________________
Bom-dia a todos ;-)

Enviado por: Roberta
[ Editar ] | [ Excluir ] | [ Gerenciar Comentários (13) ]

01/07/2004 02:57:04
Chico Buarque (19/6/1944)




Seu aniversário já passou, mas nunca é tarde para homenageá-lo. Vou postar aqui algumas músicas dele que eu adoro. Na verdade eu gosto de todas, e cheguei à conclusão de que é impossível "fechar" um repertório do Chico. Mas tentei e aqui está uma pequena seleção por ordem cronológica. Vale citar que tirei boa parte das letras do excelente sítio do Chico, http://www.chicobuarque.com.br/construcao/index.html

Tem Mais Samba
(Chico Buarque/1964)

Tem mais samba no encontro que na espera
Tem mais samba a maldade que a ferida
Tem mais samba no porto que na vela
Tem mais samba o perdão que a despedida
Tem mais samba nas mãos do que nos olhos
Tem mais samba no chão do que na lua
Tem mais samba no homem que trabalha
Tem mais samba no som que vem da rua
Tem mais samba no peito de quem chora
Tem mais samba no pranto de quem vê
Que o bom samba não tem lugar nem hora
O coração de fora
Samba sem querer

Vem que passa
Teu sofrer
Se todo mundo sambasse
Seria tão fácil viver.
_______________________
Este samba foi composto para o musical Balanço de Orfeu, de Luiz Vergueiro.
"O personagem principal, Chico Buarque de Hollanda, já não se lembra da história. Mas o publicitário Luiz Vergueiro, que dela participou, conservou-a em detalhes na memória. Ele era o produtor de um musical, Balanço de Orfeu, e a estréia, no Teatro Maria Della Costa, em São Paulo, estava marcada para o dia 7 de dezembro de 1964. Dois dias antes, impaciente, Luiz esperava pela música que havia encomendado a seu amigo Chico e da qual, em boa medida, dependeria o sucesso da noitada. A primeira parte do show, Na onda do balanço, seria como um diálogo entre a Bossa Nova e a nascente Jovem Guarda, na qual muitos viam inquietante ameaça à música brasileira. De um lado, o jovem cantor Taiguara, de outro, uma cantora que acabaria não seguindo carreira, Claudia Gennari. Ele "engajado", ela "alienada", conforme o imperioso jargão da época. No final, previsivelmente, triunfaria a Bossa Nova - e, para que não pairasse dúvida, a moral da história seria resumida numa canção, a tal encomendada a Chico, a ser cantada por todos os participantes do espetáculo.

Pelas sete da noite daquela quarta-feira, aparece o compositor. Um desastre, constatou Luiz Vergueiro: a música (que se perdeu ali mesmo, para sempre) não era ruim, mas não servia - não passava a mensagem pretendida. Isso foi dito a Chico, que saiu furioso. No dia seguinte, véspera da estréia, às dez da manhã, o produtor o vê chegar outra vez, "com os olhos vermelhos pela noite em claro e um tremendo bafo de cana" - e uma canção ainda quentinha no violão. Era Tem mais samba, que muitos anos mais tarde Chico escolheria para ser o marco zero de sua obra, e que poderia ser tomada, também, como ilustração de uma das constantes em seu trabalho: a criação por encomenda (aquela foi a primeira), contra o relógio mas nunca em prejuízo da beleza e do prazer de criar."
© Copyright Humberto Werneck in Chico Buarque Letra e Música, Cia da Letras, 1989.

Desencontro
(Chico Buarque/1965)

A sua lembrança me dói tanto
Que eu canto pra ver
Se espanto esse mal
Mas só sei dizer
Um verso banal
Fala em você
Canta você
É sempre igual

Sobrou desse nosso desencontro
Um conto de amor
Sem ponto final
Retrato sem cor
Jogado aos meus pés
E saudades fúteis
Saudades frágeis
Meros papéis
Não sei se você ainda é a mesma
Ou se cortou os cabelos
Rasgou o que é meu
Se ainda tem saudades
E sofre como eu
Ou tudo já passou
Já tem um novo amor
Já me esqueceu.

Lua Cheia
(Toquinho/Chico Buarque/1965)

Ninguém vai chegar do mar
Nem vai me levar daqui
Nem vai calar minha viola
Que desconsola, chora notas
Pra ninguém ouvir
Minha voz ficou na espreita, na espera
Quem dera abrir meu peito
Cantar feliz
Preparei para você uma lua cheia
E você não veio
E você não quis

Meu violão ficou tão triste, pudera
Quisera abrir janelas
Fazer serão
Mas você me navegou
Mares tão diversos
E eu fiquei sem versos
E eu fiquei em vão.

Com Açúcar, Com Afeto
(Chico Buarque/1966)

Com açúcar, com afeto
Fiz seu doce predileto
Pra você parar em casa
Qual o quê
Com seu terno mais bonito
Você sai, não acredito
Quando diz que não se atrasa
Você diz que é operário
Vai em busca do salário
Pra poder me sustentar
Qual o quê
No caminho da oficina
Há um bar em cada esquina
Pra você comemorar
Sei lá o quê

Sei que alguém vai sentar junto
Você vai puxar assunto
Discutindo futebol
E ficar olhando as saias
De quem vive pelas praias
Coloridas pelo sol
Vem a noite e mais um copo
Sei que alegre ma non troppo
Você vai querer cantar
Na caixinha um novo amigo
Vai bater um samba antigo
Pra você rememorar

Quando a noite enfim lhe cansa
Você vem feito criança
Pra chorar o meu perdão
Qual o quê
Diz pra eu não ficar sentida
Diz que vai mudar de vida
Pra agradar meu coração
E ao lhe ver assim cansado
Maltrapilho e maltratado
Ainda quis me aborrecer
Qual o quê
Logo vou esquentar seu prato
Dou um beijo em seu retrato
E abro os meus braços pra você.

Carolina
(Chico Buarque/1967)

Carolina
Nos seus olhos fundos
Guarda tanta dor
A dor de todo esse mundo
Eu já lhe expliquei que não vai dar
Seu pranto não vai nada mudar
Eu já convidei para dançar
É hora, já sei, de aproveitar
Lá fora, amor
Uma rosa nasceu
Todo mundo sambou
Uma estrela caiu
Eu bem que mostrei sorrindo
Pela janela, ói que lindo
Mas Carolina não viu

Carolina
Nos seus olhos tristes
Guarda tanto amor
O amor que já não existe
Eu bem que avisei, vai acabar
De tudo lhe dei para aceitar
Mil versos cantei pra lhe agradar
Agora não sei como explicar
Lá fora, amor
Uma rosa morreu
Uma festa acabou
Nosso barco partiu
Eu bem que mostrei a ela
O tempo passou na janela
Só Carolina não viu.

Januária
(Chico Buarque/1967)

Toda gente homenageia
Januária na janela
Até o mar faz maré cheia
Pra chegar mais perto dela
O pessoal desce na areia
E batuca por aquela
Que, malvada, se penteia
E não escuta quem apela

Quem madruga sempre encontra
Januária na janela
Mesmo o sol quando desponta
Logo aponta os lados dela
Ela faz que não dá conta
De sua graça tão singela
O pessoal se desaponta
Vai pro mar levanta vela.

Um Chorinho
(Chico Buarque/1967)

Ai, o meu amor, a sua dor, a nossa vida
Já não cabem na batida
Do meu pobre cavaquinho
Quem me dera
Pelo menos um momento
Juntar todo sofrimento
Pra botar nesse chorinho
Ai, quem me dera ter um choro de alto porte
Pra cantar com a voz bem forte
E anunciar a luz do dia
Mas quem sou eu
Pra cantar alto assim na praça
Se vem dia, dia passa
E a praça fica mais vazia

Vem, morena
Não me despreza mais, não
Meu choro é coisa pequena
Mas roubado a duras penas
Do coração

Meu chorinho
Não é uma solução
Enquanto eu cantar sozinho
Quem cruzar o meu caminho, não pára não

Mas não faz mal
E quem quiser que me compreenda
Até que alguma luz acenda, este meu canto continua
Junto meu canto a cada pranto, a cada choro
Até que alguém me faça coro pra cantar na rua.
________________________
Composto para o filme Garota de Ipanema, de Leon Hirszman

Até pensei
(Chico Buarque/1968)

Junto à minha rua havia um bosque
Que um muro alto proibia
Lá todo balão caía
Toda maçã nascia
E o dono do bosque nem via
Do lado de lá tanta aventura
E eu a espreitar na noite escura
A dedilhar essa modinha
A felicidade
Morava tão vizinha
Que, de tolo
Até pensei que fosse minha

Junto a mim morava minha amada
Com olhos claros como o dia
Lá o meu olhar vivia
De sonho e fantasia
E a dona dos olhos nem via
Do lado de lá tanta ventura
E eu a esperar pela ternura
Que a enganar nunca me vinha
Eu andava pobre
Tão pobre de carinho
Que, de tolo
Até pensei que fosses minha

Toda a dor da vida
Me ensinou essa modinha
Que, de tolo
Até pensei que fosse minha.

Benvinda
(Chico Buarque/1968)

Dono do abandono e da tristeza
Comunico oficialmente
Que há lugar na minha mesa
Pode ser que você venha
Por mero favor
Ou venha coberta de amor
Seja lá como for
Venha sorrindo, ai
Benvinda, benvinda, benvinda
Que o luar está chamando
Que os jardins estão florindo
Que eu estou sozinho

Cheio de anseios e esperança
Comunico a toda a gente
Que há lugar na minha dança
Pode ser que você venha
Morar por aqui
Ou venha pra se despedir
Não faz mal
Pode vir até mentindo, ai
Benvinda, benvinda, benvinda
Que o meu pinho está chorando
Que o meu samba está pedindo
Que eu estou sozinho

Venha iluminar meu quarto escuro
Venha entrando como o ar puro
Todo novo da manhã
Venha minha estrela madrugada
Venha minha namorada
Venha amada
Venha urgente
Venha irmã
Benvinda, benvinda, benvinda
Que essa aurora está custando
Que a cidade está dormindo
Que eu estou sozinho

Certo de estar perto da alegria
Comunico finalmente
Que há lugar na poesia
Pode ser que você tenha
Um carinho para dar
Ou venha pra se consolar
Mesmo assim pode entrar
Que é tempo ainda, ai
Benvinda, benvinda, benvinda
Ah, que bom que você veio
E você chegou tão linda
Eu não cantei em vão
Benvinda, benvinda, benvinda, benvinda, benvinda
No meu coração.
________________________
Não é demais??? Benvinda participou do IV Festival de MPB da TV Record, em dezembro de 1968, e ganhou primeiro lugar no júri popular.

Pois é
(Tom Jobim/Chico Buarque/1968)

Pois é
Fica o dito e o redito por não dito
E é difícil dizer que foi bonito
É inútil cantar o que perdi
Taí
Nosso mais-que-perfeito está desfeito
E o que me parecia tão direito
Caiu desse jeito sem perdão

Então
Disfarçar minha dor eu não consigo
Dizer: somos sempre bons amigos
É muita mentira para mim

Enfim
Hoje na solidão ainda custo
A entender como o amor foi tão injusto
Pra quem só lhe foi dedicação
Pois é, e então...

Sabiá
(Tom Jobim/Chico Buarque/1968)

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De uma palmeira
Que já não há
Colher a flor
Que já não dá
E algum amor
Talvez possa espantar
As noites que eu não queria
E anunciar o dia

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer.
_______________________

enviada por Roberta



06/03/2005 13:32
Em Tempo de Adeus
(Edu Lobo e Ruy Guerra)

Quando eu morrer
E é tão triste a gente ir
Ter de deixar tanta esperança
Tanta gente a quem amar
Quem sabe alguém pra me olhar
Quando eu morrer e é tão triste a gente ir

Ah, se eu pudesse
Ter te encontrado
A dor da morte era assim igual
Mas mil vidas dadas
Uma só guardar
Para viver sempre
Toda sempre ao lado teu
Quando eu morrer e é tão triste a gente ir

Alguém escreva para mim
Numa primavera qualquer
A palavra liberdade
Junto ao meu desespero de acabar
Quando eu morrer e é tão triste a gente ir.
_________________________________
Gravada por Nara Leão no CD Opinião de Nara, Philips, 1964.

enviada por Roberta



20/01/2005 00:06
Não que eu vá ressuscitar este blog, não é isso. Mas este texto pegou tão pesado, achei que tinha que dividi-lo com todos. Porque eu gosto muito de "ultrapassar a fronteira da minha dor". Espero que vocês apreciem.

PARA MARIA DA GRAÇA
Paulo Mendes Campos

Agora que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas.
Este livro é doido, Maria: o sentido dele está em ti.
Escuta: se não descobrires um sentido na loucura, acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.
A realidade, Maria, é louca.

Nem o Papa, ninguém no mundo pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz a sua gatinha: “Fala a verdade Dinah, já comeste um morcego?”

Não te espanes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isto acontece muitas vezes por ano. “Quem sou eu no mundo?” Esta indagação perplexa é o lugar comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares esta charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta: o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.

A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: “Estou tão cansada de estar aqui sozinha!”. O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada, e vice-versa, fechar uma porta bem aberta.

Somos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.
Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda a sabedoria tem que ser grave.

A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: “Oh, I beg your pardon!”. Pois viver é falar em corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para sua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: “Gostarias de gatos se fosses eu?”

Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na Literatura. Até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados, todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, que quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: “A corrida terminou! Mas quem ganhou?” É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiverdes de ir a algum lugar, não te preocupes a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre aonde quiseres, ganhastes.
Disse o ratinho: “Minha história é longa e triste!”. Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: “Minha vida daria um romance!”. Sobretudo dos homens. Uns chatos irremediáveis, Maria.

Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro. E não se desesperes ao triste pensamento de Alice: “Devo estar diminuindo de novo”. Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.

Escuta essa parábola perfeita: Alice tinha diminuído tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo. Isso acontece muito, Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte. É isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e de rinocerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçado de camundongo. E como tomar o pequeno por grande e o grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom humor.

Toda pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande, para o humor mais ou menos barato, que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; e por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para as grandes ocasiões. Chamo de “grandes ocasiões” os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade; em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos; em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado Maria, com as grandes ocasiões.

Por fim, uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: “Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas”.

Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida. É feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassarmos a fronteira de nossa própria dor, Maria da Graça.

Para Gostar de Ler – vol. IV
enviada por Roberta



05/11/2004 14:16
Sovaco de Cobra

Pessoal, antes da minha despedida final aqui no ig quero dar uma dica a todos os amantes da boa música: o excelente blog Sovaco de Cobra está entre os 10 finalistas na categoria "melhor temática" do concurso "The Best Of The Blogs Awards", promovido pela Deutsche Welle. Todos os detalhes a respeito já foram publicados pelo Zé Carlos Cipriano, pesquisador e violonista seriíssimo aqui:

http://www.sovacodecobra.com.br/pivot/entry.php?id=296

Não deixem de votar e conhecer este trabalho maravilhoso!
Este foi meu último post aqui, espero vocês no blogspot.
Um beijo grande a todos
enviada por Roberta



04/11/2004 05:08
Despedida

Queridos amigos, tenho que admitir que como dona de blog eu sou um verdadeiro fiasco. Tenho milhares de coisas legais que gostaria de escrever aqui, mas infelizmente não tenho disciplina e nem tempo, o que me deixa sinceramente muito triste, porque eu adoro, de verdade, este espaço.
Além de tudo isto, o IG não ajuda, confesso. Outro dia escrevi um post enorme e, quando fui publicar, a página do ig não aceitou (só Deus sabe por quê) e eu perdi tudo, fiquei uma fera. Além do que tenho vontade de divulgar o trabalho de outros amigos, outros blogs maravilhosos, e não consigo, pq esta espelunca só abre espaço pra blogs do ig.

Diante de tantas reclamações, enfim uma boa notícia. Uma amiga muito querida, a Mariana, montou um blog pra mim no blogspot e eu estou de malas prontas. Devo me mudar em breve. O meu novo endereço será www.saocoisasnossas.blogspot.com. Ainda não está pronto, e isso não significa que eu vá escrever mais, mas não vou parar. Espero que vocês tenham paciência comigo ;-)
------
Aproveito pra dizer que hoje tive um dia muito especial. Encontrei um amigo que eu não via há quase dois anos, o grande pianista porto-riquenho Edsel Gomez, que está de passagem pelo Brasil (vai se apresentar no Tim Festival). Ele é, além de um músico brilhante, uma pessoa muuuuuuuito generosa e gente fina. Prometi arrumar uma música pra ele há dois anos, estou meio atrasada (como sempre!). Então aqui vai esta música lindíssima - inédita - do Sombra, com letra do Paulo César Pinheiro:

Santo Amor

Pra que você nunca vá embora
Pus meu coração no seu caminho
Por você minha Nossa Senhora
Dou o corpo, o sangue, o pão e o vinho

Vou criar meu próprio pergaminho
Desse santo amor que me devora
Vou deixar-me coroar de espinhos
Pra que você nunca vá embora

No seu corpo em cruz vou me prender
Pela sua vida oferecer a minha vida
Me pregar nos braços seus e morrer.
enviada por Roberta



08/10/2004 13:44
Zé Luiz Mazziotti

Hoje quero escrever sobre esse moço lindo, um dos maiores cantores do Brasil de todos os tempos.


Ouvi pela primeira vez a voz abençoada de Zé Luiz num lp tributo ao Sidney Miller (por quem também sou apaixonada). Foi amor à primeira audição. Logo depois fui ao show dele, lá por 1995, no finado bar Vou Vivendo, com meu grande cúmplice musical, Roberto Lapiccirella. Foi um show intimista, platéia selecionadíssima, o Zé conversou o tempo todo, e num determinado momento perguntou se alguém queria ouvir uma música em especial. Aí não me contive, e pedi pra ele cantar Nós, os Foliões, que ele gravou no tributo ao Sidney Miller. Foi o suficiente para ficarmos amigos.

Nós, os Foliões
(Sidney Miller)

Nosso amor passou, eu sei
No princípio eu não quis acreditar
Chorei
Mas depois eu tive que me conformar
Me conformei
A realidade foi maior
Aprendi nessa dor
A mágoa não compensa
E o orgulho é mais cruel
Que toda a indiferença
Pode acreditar, mulher
Nosso amor foi lindo
Como um carnaval qualquer
Que se acaba
E faz um novo dia a dia acontecer
Tão difícil assim como viver
Até um dia em que vem
reacender alegrias e salões
Nós, os foliões
Nossas alegorias
Tão esperado e se foi
Tão colorido e lá vai
Perdendo a cor o carnaval do nosso amor.
_________
Virei fã absoluta. Fui a todas as apresentações dele que pude, me lembro de outra noite no Vou Vivendo, dessa vez Zé Luiz e a cantora Yvette Mattos. Foi um show inesquecível. Eles contaram tantas histórias engraçadas que quase mataram a platéia de rir. E também de chorar, de emoção, ao ouvi-los cantar.
Corri sebos afora pra achar seus primeiros lps, ZéLuiz, de 1979 e Sinais, de 1981. O tributo a Sidney Miller foi lançado pela Funarte em 83. No ano seguinte ele lançou ...E o Amor Falou (que eu não tenho). Nesse mesmo ano Zé foi morar na França. Dez anos depois, de volta ao Brasil, lançou o disco ZeLuiz (1995), que me roubaram. Em 2001 Zé gravou o CD Pra Fugir da Saudade, ao lado de outra grande cantora, a Célia (na foto), só com músicas de Paulinho da Viola. É lindo de morrer - E difícil de achar. Há dois anos Mazziotti gravou um CD independente só com músicas do Chico Buarque. Esse disco acaba de ser relançado pela Dabliú, é belíssimo. Além disso Mazziotti tem participações antológicas em outros discos, como a do CD Antonio Adolfo Abraça Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth, em que ele canta Bambino, que vou publicar logo abaixo.

É possível conhecer a biografia, discografia, etc. de Zé Luiz no seu site oficial, http://www.zeluizmazziotti.com.br/. Ele também tem um blog, http://mazziotti.festim.net/.

Zé Luiz Mazziotti tem a voz masculina mais bonita que já ouvi. É uma pessoa maravilhosa, extremamente humilde, dona de um bom gosto excepcional. Eu só lamento o fato de ele não aparecer na Globo, de suas músicas não tocarem no rádio, do mundo não conhecê-lo. Porque ele é genial. Como sou feliz e privilegiada por conhecer Zé Luiz Mazziotti!

Bambino
(Ernesto Nazareth)

Como tão linda está
Como tão linda está
Mas se um beijo eu pedir
Você não me dá
Você não me dá
Quem lhe implora é o amor
A inocência, o candor
Mas você é tão má
Que eu sei que você não dá, não dá

Não tem pena de ver um poeta a sofrer
Quem lhe implora é o amor
É a doida aflição do meu coração
Se me promete dar
Eis-me aqui a chorar
Mas você é tão má que eu sei que você não dá, não dá.

Sua boca é um primor
Uma abelha do amor
Sou capaz de jurar que seu beijo há de ter
O sabor do luar
Sua boca é um altar
Onde eu quero rezar
E após (a)* confissão
Nos seus lábios crismar os meus lábios então.

Sua boca cheirosa, a essência da rosa
Mais bela e mais langue
É uma estrela, uma estrela de sangue
Um luar de sangrento rubor
Quem me dera um carinho
Deixar lucilando num terno cantinho
Desse mau pedacinho
Do inferno, do averno
Do céu mais azul
A minha alma voando do paul da terra
Tão cheia de horrores
Nesse berço feliz dos amores
As minhas glórias pudera cantar
E se acaso duvida do que ora lhe diga
Venha, experimente
Que (a)* minha alma ardente
Na sua boquinha deseja sonhar

Como tão linda está
Ai, meu Deus, como está
Pra uma santa ficar
Devia um beijinho agora me dar
O seu beijo é o licor
Dos travores da dor
Há de ter o sabor da antera da flor
Do seu amor.
________________
Recebeu letra de Catullo da Paixão Cearense e virou Você não me dá!
(Dedicada ao criminalista Evaristo de Moraes).

Significado de algumas palavras (retirado do Aurélio)

Candor: candura
Primor: delicadeza, beleza
Crismar: batizar
Langue: forma verbal erroneamente tomada por adjetivo, em vez de lânguido (sensual)
Rubor: cor vermelha
Lucilando: do verbo lucilar - brilhar com pouca intensidade
Averno: inferno
Paul: pântano
Travores: Impressão de desagrado ou de amargor
Antera: (bot.) - porção dilatada, sacular, que se acha no ápice do filete do estame e encerra os grãos de pólen. É formada por duas tecas, unidas pelo conectivo, cada uma delas composta de dois sacos polínicos. As anteras abrem-se por fendas ou por poros para dar saída ao seu produto - os grãos de pólen.
* não consta na gravação.

A música também recebeu letra de Zé Miguel Wisnik e foi gravada por Elza Soares no CD Do Cóccix até o Pescoço.

Bambino

E se o ferro ferir
E se a dor perfumar
Um pé de manacá
Que eu sei existir em algum lugar?
E se eu te machucar
Sem querer atingir
E também magoar
O seio mais lindo que há?
E se a brisa soprar?
E se ventar a favor?
E se o fogo pegar
Quem vai se queimar
De gozo e de dor?
E se for pra chorar
E se for ou não for
Vou contigo dançar
E sempre te amar, amor

E se o mundo cair
E se o céu despencar?
Se rolar vendaval, temporal, carnaval
E se as águas correrem
Pro bem e pro mal?
Quando o sol ressurgir
Quando o dia raiar
É menino e menina
Bambino e bambina
Pra quem tem que dar
No final do final

E se a noite pedir
E se a chama apagar?
E se tudo dormir
O escuro cobrir
Ninguém mais ficar?
E se for pra chorar
E uma rosa se abrir?
Pirilampo luzir, brilhar e sumir
No ar
E se tudo falir
O mar acabar
E se eu nunca pagar
O quanto pedi
Pra você me dar?
E se a sorte sorrir
E o infinito deixar
Vou seguindo seguir
E quero teus lábios beijar.
enviada por Roberta



02/10/2004 22:59
Diário de bordo

Este samba-choro é belíssimo, como todas as músicas de Altamiro Carrilho, grande compositor e flautista. É do tipo de música que ouço o dia inteiro, sem parar. Grande hit do violonista de 7 cordas João Macacão, excelente cantor, com quem ouvi este clássico pela primeira vez.

Meu sonho é Você)
(Altamiro Carrilho e Atila Nunes)

Quando eu passo pela rua onde mora
Aquela que eu perdi
Numa noite de verão
Ainda hoje eu sei que ela chora
Relembrando com saudade aquela amizade
Que o tempo levou, levou
Meu desejo era ser bem feliz
Mas o destino não quis
Vivo sofrendo afinal

Meu sonho é você
Que é todo o meu mal
Tudo terminou
De um modo banal.

Foi gravada por Noite Ilustrada no CD Resgatando. Outras gravações: Agnaldo Timóteo e Carmen Costa, Cauby Peixoto, Dick Farney, Nelson Gonçalves, Orlando Correa, Orlando Silva, Ribamar, Rinaldo Calheiros, Turma da Gafieira, A Turma do Sereno, Zezé Gonzaga e Jane Duboc, etc.

Esse CD do Noite Ilustrada, Resgatando, seria bonito se não tivesse uma instrumentação horrorosa, arranjos com aquele órgão - sabem, aquele? - fazendo as introduções e alguns solos. Que pecado!
___________________

enviada por Roberta



26/09/2004 18:54
Fico muito triste por não ter tempo de atualizar este blog, mas realmente não dá. Desde o princípio eu sabia que seria assim, sou muito indisciplinada. Seja lá como for, adoro escrever aqui e virei sempre que eu puder.

Discos da semana

Ouvi muito Jacob do Bandolim e Riachão, compositor baiano que eu tive a honra de acompanhar na sexta passada. Que fôlego, gente, que arraso. Riachão tem mais fôlego que a nossa banda toda, é mesmo impressionante. Ele é o máximo. (foto de Ricardo Moreira)


enviada por Roberta



04/09/2004 14:40
Índice do conteúdo do blog São Coisas Nossas

Se eu entendesse alguma coisa de html e afins colocaria este índice fora do conteúdo do blog, mas como não manjo necas, vai aqui mesmo, caso alguém queira encontrar alguma música. Juro que qualquer hora aprendo e publico no lugar certo.

Músicas

1.A Borboleta e o Passarinho (Tereza Cristina) (abr/2004)
2.A Deusa da Minha Rua (Newton Teixeira e Jorge Faraj) (jun/2004)
3.A História de Lily Braum (Chico Buarque e Edu Lobo) (jul/2004)
4.A Lua e o Conhaque (Délcio Carvalho/Afonso Machado/Luiz Moura) (abr/2004)
5.A Mais Bonita (Chico Buarque) (jul/2004)
6.A Mulher que eu Gosto (Ciro de Souza e Wilson Batista) (fev/2004)
7.A Noite do Meu Bem (Dolores Duran, 1959) (mai/2004)
8.A Outra Banda da Terra (Caetano Veloso) (mai/2004)
9.A Rosa (Chico Buarque) (jul/2004)
10.A Violeira (Chico Buarque e Tom Jobim) (jul/2004)
11.Acariciando (Abel Ferreira/Lourival Faissal) (abr/2004)
12.Acreditar (Délcio Carvalho/D. Ivone Lara) (abr/2004)
13.Ai de Mim (All of Me) (Simons/Marks, versão de Neuza de Souza) (mai/2004)
14.Ainda Mais (Eduardo Gudin e Paulinho da Viola) (ago/2004)
15.Apesar de Você (Chico Buarque) (jul/2004)
16.Até Pensei (Chico Buarque) (abr/2004)
17.Até Pensei (Chico Buarque) (jul/2004)
18.Atrás da Porta (Chico Buarque e Francis Hime) (jul/2004)
19.Bailorena/Estrelas Mil (Kaluca - Paulinho P. Azul) (jun/2004)
20.Basta de Clamares Inocência (Cartola) (mar/2004)
21.Beatriz (Chico Buarque e Edu Lobo) (jul/2004)
22.Beijo Partido (Toninho Horta) (mai/2004)
23.Benvinda (Chico Buarque) (jul/2004)
24.Bobagens, Meu Filho, Bobagens (Marina Lima e Antônio Cícero) (mai/2004)
25.Boca de Siri (Wilson Batista e Germano Augusto) (jun/2004)
26.Bolero de Satã (Guinga/Paulo César Pinheiro) (mar/2004)
27.Bons Amigos (Toninho Horta/Ronaldo Bastos) (mai/2004)
28.Cabô, Meu Pai (Moacyr Luz, Luiz Carlos da Vila e Aldir Blanc) (abr/2004)
29.Cabrochinha (Maurício Carrilho e Paulo César Pinheiro) (jul/2004)
30.Cala a Boca, Bárbara (Chico Buarque e Ruy Guerra) (jul/2004)
31.Camisa Amarela (Ary Barroso) (ago/2004)
32.Candeias (Edu Lobo) (mar/2004)
33.Cansei de Esperar (D. Ivone Lara e Délcio Carvalho) (mai/2004)
34.Canto Triste (Edu Lobo e Vinícius de Moraes) (mar/2004)
35.Capitu (Luiz Tatit) (jun/2004)
36.Carolina (Chico Buarque) (jul/2004)
37.Castigo (Dolores Duran) (mai/2004)
38.Céu Cor-de-rosa (Indian Summer) (Victor Herbert e Al Dublin, versão de Haroldo Barbosa) (mai/2004)
39.Chegou o Dia (Geraldo Pereira/Elpídio Viana) (abr/2004)
40.Choro Bandido (Chico Buarque e Edu Lobo) (jul/2004)
41.Clara Paixão (Nonato Buzar/Rosinha de Valença/S. Benchimol) (mar/2004)
42.Coisa Mais Linda (Carlos Lyra e Vinícius de Moraes) (mai/2004)
43.Coisas do Mundo, Minha Nega (Paulinho da Viola) (mai/2004)
44.Com Açúcar, com Afeto (Chico Buarque) (jul/2004)
45.Cristo nasceu na Bahia (Sebastião Cirino e Duque, 1926) (mai/2004)
46.Dá-me Tuas Mãos (Roberto Martins e Mário Lago) (mai/2004)
47.De Onde Vens (Dori Caymmi/Nelson Motta) (fev/2004)
48.Dei Liberdade (D. Ivone Lara) (abr/2004)
49.Desalento (Chico Buarque e Vinícius de Morais) (jul/2004)
50.Desencontro (Chico Buarque) (jul/2004)
51.Diana (Toninho Horta e Fernando Brant) (mai/2004)
52.Doce de Coco (Hermínio Bello de Carvalho/Jacob do Bandolim) (jun/2004)
53.Dos Meus Braços Tu Não Sairás (Roberto Roberti) (mai/2004)
54.Dream a Little Dream of Me (Gus Kahn/Wilbur Schwandt/Andres Fabian) (jun/2004)
55.Durango Kid (Toninho Horta e Fernando Brant) (mai/2004)
56.É Hoje (Didi e Mestrinho) (mai/2004)
57.E Lá se Vão Meus Anéis (Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro) (ago/2004)
58.Eclipse Oculto (Caetano Veloso) (mai/2004)
59.Embarcação (Chico Buarque e Francis Hime) (jul/2004)
60.Ensaio do Dia (Eduardo Gudin/Costa Netto) (mar/2004)
61.Estrada do Sertão (João Pernambuco/Hermínio B. de Carvalho) (mar/2004)
62.Estrada do Sol (Dolores Duran/Tom Jobim, 1958) (mai/2004)
63.Eu não Sou Daqui (Wilson Batista/Ataulfo Alves) (jun/2004)
64.Eu Te Amo (Chico Buarque e Tom Jobim) (jul/2004)
65.Fado Tropical (Chico Buarque e Ruy Guerra) (jul/2004)
66.Fala Baixinho (Pixinguinha e Hermínio Bello de Carvalho) (mar/2004)
67.Fim de caso (Dolores Duran, 1959) (mai/2004)
68.Fruta Boa (Milton Nascimento/Fernando Brant) (mar/2004)
69.Futuros Amantes (Chico Buarque) (jul/2004)
70.Grau Dez (Lamartine Babo e Ary Barroso, 1935) (fev/2004)
71.Imagina (Chico Buarque e Tom Jobim) (jul/2004)
72.Injuriado (Chico Buarque) (jul/2004)
73.Já Era (Palavra) (Mauro Duarte) (abr/2004)
74.Janelas Abertas (Tom Jobim e Vinícius de Morais) (jun/2004)
75.Januária (Chico Buarque) (jul/2004)
76.João e Maria ((Chico Buarque e Sivuca) (jul/2004)
77.Julieta (Noel Rosa e Frazão) (mai/2004)
78.Jura Secreta (Sueli Costa/Abel Silva) (jun/2004)
79.Linda Flor (Luiz Peixoto/Marquês Porto/Henrique Vogeler/Cândido Costa) (jun/2004)
80.Loura ou Morena (Vinícius de Moraes e Haroldo Tapajós) (mai/2004)
81.Lua Cheia (Chico Buarque e Toquinho) (jul/2004)
82.Ludo Real (Chico Buarque e Vinicius Cantuária) (jul/2004)
83.Manuel, o Audaz (Toninho Horta e Fernando Brant) (mai/2004)
84.Maria (Ary Barroso e Luiz Peixoto) (ago/2004)
85.Mas Quem Disse que Eu te Esqueço (D. Ivone Lara e Hermínio Bello de Carvalho) (abr/2004)
86.Medo de Amar (Vinícius de Moraes) (mar/2004)
87.Meio-dia, meia lua (Chico Buarque e Edu Lobo) (jul/2004)
88.Meninos, Eu Vi (Chico Buarque e Tom Jobim) (jul/2004)
89.Meu Rádio e Meu Mulato (Herivelto Martins) (jun/2004)
90.Meus Vinte Anos (Wilson Batista e Silvio Caldas) (mar/2004)
91.Mil Perdões (Chico Buarque) (jul/2004)
92.Molambo (Jayme Florence e Augusto Mesquita, 1952) (mar/2004)
93.Mordaça (Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro) (mai/2004)
94.Mulher (Custódio Mesquita e Sadi Cabral) (mai/2004)
95.Mundo Melhor (Vinícius de Moraes e Pixinguinha) (mar/2004)
96.Musical (Péricles Cavalcanti) (mai/2004)
97.Nada Além (Custódio Mesquita e Mário Lago) (mai/2004)
98.Naná (Custódio Mesquita, Jardel e Geysa Bôscoli) (mai/2004)
99.Não me Culpes (Dolores Duran, 1958) (mai/2004)
100.Não Troquemos de Mal (Jorge Faraj e H. Brito) (mai/2004)
101.Nega Manhosa (Herivelto Martins) (jun/2004)
102.Nenhuma Lágrima (Sueli Costa) (mai/2004)
103.Neste Mesmo Lugar (Klécius Caldas e Armando Cavalcanti) (mar/2004)
104.Ninguém me Ama (Antônio Maria e Fernando Lobo) (mai/2004)
105.No Olhar de Juliana (Paulinho Pedra Azul) (jun/2004)
106.No Rancho Fundo (Ary Barroso e Lamartine Babo) (ago/2004)
107.Noite Sem Luar (Godofredo Guedes) (jun/2004)
108.Nostradamus (Eduardo Dussek) (jan/2004)
109.Noturno em Tempo de Samba (Custódio Mesquita e Evaldo Ruy, 1944)(mar/2004)
110.Nova Ilusão (Pedro Caetano e Claudionor Cruz) (jun/2004)
111.O Amor e a Rosa (Antônio Maria e João Pernambuco) (mai/2004)
112.O Cantador (Dori Caymmi e Nelson Motta) (mar/2004)
113.O Habitat da Felicidade (Lula Queiroga/Lucky Luciano) (jun/2004)
114.O Meu Guri (Chico Buarque) (jul/2004)
115.O Negócio é Amar (Dolores Duran e Carlos Lyra) (mai/2004)
116.Obra-prima (Lúcio Cardim e Norberto Pereira) (abr/2004)
117.Olha o Tempo Passando (Dolores Duran e Edson Borges, 1959) (mai/2004)
118.Olhar Brasileiro (Eduardo Dussek/Luis Carlos Goes) (jan/2004)
119.Olhos Negros (Custódio Mesquita e Ary Monteiro) (mai/2004)
120.Ontem ao Luar (Catulo da Paixão Cearense e Pedro de Alcântara) (mar/2004)
121.Os Meninos da Mangueira (Rildo Hora e Sérgio Cabral, 1980) (abr/2004)
122.Outra Você não me Faz (D. Ivone Lara) (abr/2004)
123.Paciente (Pixinguinha e Daniel Santos, gravada por César Costa Filho no lp Nina) (mar/2004)
124.Para Falar a Verdade (Sérgio Cabral e Rildo Hora, gravação de Maria Creuza) (abr/2004)
125.Peter Gast (Caetano Veloso) (mai/2004)
126.Piano na Mangueira (Chico Buarque e Tom Jobim) (jul/2004)
127.Pois é (Chico Buarque e Tom Jobim) (jul/2004)
128.Pois é (Chico Buarque e Tom Jobim) (abr/2004)
129.Por Causa de Você (Tom Jobim/Dolores Duran, 1957) (mai/2004)
130.Pra Machucar Meu Coração (Ary Barroso) (ago/2004)
131.Pra Que Discutir com Madame (Janet de Almeida e Haroldo Barbosa, 1956) (mar/2004)
132.Precisamos de Amores (Paulinho Pedra Azul) (jun/2004)
133.Presente (Zé Miguel Wisnik) (jun/2004)
134.Procissão de Sexta-feira Santa (Paulinho Nogueira) (mar/2004)
135.Promessa (Custódio Mesquita e Evaldo Ruy, 1943) (mar/2004)
136.Quando Esse Nego Chega (Haroldo Barbosa) (jun/2004)
137.Quem Canta Seus Males Espanta (Itamar Assumpção) (jun/2004)
138.Quero Ir a Cuba (Caetano Veloso) (mai/2004)
139.Recado Para um Amigo Solitário (Paulinho Pedra Azul) (jun/2004)
140.Refém da Solidão (Baden Powell/Paulo César Pinheiro) (mai/2004)
141.Renúncia (Roberto Martins e Mário Rossi) (mai/2004)
142.Retrato em Branco e Preto (Chico Buarque e Tom Jobim) (jul/2004)
143.Sábado em Copacabana (Carlos Guinle/Dorival Caymmi) (jun/2004)
144.Sabiá (Chico Buarque e Tom Jobim) (jul/2004)
145.Salva-Vida (Caetano Veloso) (mai/2004)
146.Samba e Amor (Chico Buarque) (jul/2004)
147.Sambei Vinte e Quatro Horas (Haroldo Lobo e Wilson Batista) (mar/2004)
148.São Coisas Nossas (Noel Rosa, 1932) (mar/2004)
149.Se Eu Fosse o Teu Patrão (Chico Buarque) (jul/2004)
150.Sem Fim (Novelli e Cacaso) (jul/2004)
151.Simplesmente (Paulinho Nogueira) (mar/2004)
152.Sinhazinha (Despertar) (Chico Buarque) (jul/2004)
153.Solidão (Dolores Duran, 1958) (mai/2004)
154.Sorri (Elton Medeiros e Zé Ketti) (abr/2004)
155.Sorri (Smile) (Charles Chaplin, Geofreu Parsons e John Turner–Versão:João de Barro) (abr/2004)
156.Tango do Covil (Chico Buarque) (jul/2004)
157.Tatuagem (Chico Buarque e Ruy Guerra) (jul/2004)
158.Tem Mais Samba (Chico Buarque) (jul/2004)
159.Ternura Antiga (Dolores Duran e J. Ribamar, 1960) (mai/2004)
160.Teu Triste Olhar (Paulinho Pedra Azul) (jun/2004)
161.Tira as Mãos de Mim (Chico Buarque e Ruy Guerra) (jul/2004)
162.Tô (Tom Zé e Elton Medeiros) (jun/2004)
163.Todo o Sentimento (Chico Buarque e Cristóvão Bastos) (jul/2004)
164.Três Lágrimas (Ary Barroso) (mai/2004)
165.Tu (Ary Barroso) (ago/2004)
166.Último Desejo (Noel Rosa) (mai/2004)
167.Um Calo de Estimação (Zé da Zilda e José Thadeu) (abr/2004)
168.Um Chorinho (Chico Buarque) (jul/2004)
169.Um Novo Sonho (Paulinho Pedra Azul) (jun/2004)
170.Unha de Gato (Elton Medeiros e Antonio Valente) (mar/2004)
171.Uns (Caetano Veloso) (mai/2004)
172.Vai (Menina Amanhã de Manhã) (Tom Zé e Perna) (jul/2004)
173.Vai Levando (Chico Buarque e Caetano Veloso) (jul/2004)
174.Vai Passar (Chico Buarque e Francis Hime) (jul/2004)
175.Veneno (Paulo César Pinheiro e Eduardo Gudin) (mar/2004)
176.Verde (Eduardo Gudin e Costa Netto) (ago/2004)
177.Vingança (Francisco Mattoso e José Maria de Abreu) (jul/2004)
178.Vírgula (Alberto Ribeiro e Erastótenes Frazão) (fev/2004)
179.Você É Linda (Caetano Veloso) (mai/2004)
180.Você Só Mente (Noel Rosa e Hélio Rosa) (mai/2004)
181.Você Vai me Seguir (Chico Buarque e Ruy Guerra) (jul/2004)

Poemas

1.Aqui na orla da praia, mudo e contente do mar (Fernando Pessoa) (jun/2004)
2.Desejo (Vitor Hugo) (fev/2004)
3.A bunda, que Engraçada (Carlos Drummond de Andrade) (mar/2004)
4.Aviso da Lua que Menstrua (Elisa Lucinda) (mar/2004)
5.Recesso (Claudia Castanheira) (mar/2004)
6.Caso do Vestido (Carlos Drummond de Andrade) (mai/2004)
7.Contemplo o lago mudo (Fernando Pessoa) (jun/2004)
8.Caminho a teu lado mudo (Fernando Pessoa) (jun/2004)
9.Bóiam leves, desatentos (Fernando Pessoa) (jun/2004)
10.As coisas que errei na vida (Fernando Pessoa) (jun/2004)
11.Autopsicografia (Fernando Pessoa) (jun/2004)
12.Aquilo que a gente lembra (Fernando Pessoa) (jun/2004)
13.Aqui neste profundo apartamento (Fernando Pessoa) (jun/2004)

Textos

1.Amor Só de Letras (Mário Prata) (mar/2004)
2.Canção das Mulheres (Lya Luft) (mar/2004)
3.E isso de ser jornalista? (Zuenir Ventura) (mar/2004)
4.No Ar: PRK-30 – Hora da Ginástica (ago/2004)
enviada por Roberta



31/08/2004 12:13
Eduardo Gudin

Ele é um dos meus compositores prediletos aqui de SP.
Tem treze discos gravados, mas a maioria não foi lançada em CD. Eu poderia ficar horas aqui falando sobre suas músicas, lindas, seus discos, impecáveis, mas não há tempo. Então vou colocar um link para o site dele, www.eduardogudin.com.br, não deixem de visitar. E algumas poucas letras, só para homenageá-lo, quando eu estiver com mais tempo vou escrever muitas outras. Detalhe importante: Gudin é um dos donos do famoso e tradicional Bar do Alemão, na Av. Antártica, nas Perdizes (SP). Altas rodas estão acontecendo ali. Às segundas, por exemplo, o grande (literalmente) Arismar do Espírito Santo tem promovido uma noite bem animada, sempre com talentosos músicos dando canja.
Gudin é um luxo!!!!!!



Ainda Mais
Eduardo Gudin/ Paulinho da Viola

Foi como tudo na vida
Que o tempo desfaz
Quando menos se quer
Uma desilusão assim
Faz a gente perder a fé
E ninguém é feliz, viu
Se o amor não lhe quer
Mas, enfim
Como posso fingir em pensar em você
Como um caso qualquer
Se entre nós tudo terminou
Eu ainda não sei, mulher
Mas por mim não irei renunciar
Antes de ver o que eu não vi
Em seu olhar
Antes que a derradeira chama que ficou
Não queira mais queimar

Vai
Que toda verdade de um amor
O tempo traz
Quem sabe um dia você volta para mim
E amando ainda mais.

E Lá se Vão Meus Anéis
(Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro)

Lá se vão meus anéis
Diz o refrão
Mas meus dedos são dez
Duas mãos
E a mulher que tu és
Oh, não
Isso não são papéis, não são
Não merece os meus réis de pão
Mete os pés pelas mãos
Todos sabem que o meu coração
É uma casa aberta não sei por quê
Portas e janelas dão pra você
Dão, deram e darão
É porque a chave do meu coração
Somente o teu coração pode abrir
E lá vai meu coração por aí
Mas não perdoa não
E lá se vão meus anéis.

Lá se vão meus anéis
Outros virão
Nas primeiras marés encho as mãos
Mas me pôr aos teus pés
Oh, não
Nem que fosse o que resta então
Nem que virem cruéis os bons
E infiéis os cristãos.

Verde
(Eduardo Gudin/Costa Netto)

Quem
Pergunta por mim
Já deve saber
Do riso no fim
De tanto sofrer
Que eu não desisti
Das minhas bandeiras
Caminhos, trincheiras
Da noite
Eu
Que sempre apostei
Na minha paixão
Guardei um país
No meu coração
Um foco de luz
Seduz a razão
De repente a visão
Da esperança
Quis
Esse sonhador
Aprendiz
De tanto suor
Ser feliz
Num gesto de amor
Meu país
Acendeu a cor

Verde
As matas no olhar
Ver de perto
Ver
De novo um lugar
Ver adiante
Sede de navegar
Verdejantes tempos
Mudança dos ventos
No meu coração.
enviada por Roberta



18/08/2004 14:12
Ary Barroso

Ah, como eu amo as músicas desse grande compositor e pianista... Vou escrever algumas letras aqui, mas volto em breve pra colocar os detalhes das gravações, pois agora não dá ;-)

Camisa Amarela
(Ary Barroso, 1939)

Encontrei o meu pedaço na avenida de camisa amarela
Cantando a Florisbela, oi
A Florisbela
Convideio-o a voltar pra casa em minha companhia
Exibiu-me um sorriso de ironia
E desapareceu no turbilhão da galeria
Não estava nada bom
O meu pedaço, na verdade, estava bem mamado
Bem chumbado, atravessado
Foi por aí cambaleando
Se acabando num cordão
Com o reco-reco na mão
Mais tarde, o encontrei num café
Zurrapa do Largo da Lapa
Folião de raça
Bebendo o quinto copo de cachaça
Isto não é chalaça...

Voltou às sete horas da manhã
Mas só na quarta-feira
Cantando a Jardineira, oi
A Jardineira
Me pediu, ainda zonzo, um copo d'água com bicarbonato
O meu pedaço estava ruim de fato
Pois caiu na cama e não tirou nem o sapato
Roncou uma semana
Despertou mal-humorado
Quis brigar comigo
Que perigo!
Mas não ligo
O meu pedaço me domina, me fascina, ele é o tal
Por isso não levo a mal
Pegou a camisa
A camisa amarela
Botou fogo nela
Gosto dele assim
Passada a brincadeira
Ele é pra mim
(Meu Senhor do Bonfim!)

Pra Machucar Meu Coração
(Ary Barroso, 1943

Tá fazendo um ano e meio, amor
Que o nosso lar desmoronou
Meu sabiá, meu violão
E uma cruel desilusão
Foi tudo que ficou
Ficou
Pra machucar meu coração

Quem sabe não foi bem melhor assim
Melhor pra você e melhor pra mim
A vida é uma escola
Onde a gente precisa aprender
A ciência de viver pra não sofrer.

Maria
(Ary Barroso/Luiz Peixoto, 1932)

Maria
O teu nome principia
Na palma de minha mão
E cabe bem direitinho
Dentro do meu coração, Maria
Maria, de olhos claros, cor do dia
Como os de Nosso Senhor
Eu por vê-los tão de perto
Fiquei ceguinho de amor, Maria

No dia, minha querida
Em que juntinhos da vida
Nós dois nos quisermos bem
A noite em nosso cantinho
Hei de chamar-te baixinho
Não hás de ouvir mais ninguém, Maria
Maria, era o nome que eu dizia
Quando aprendi a falar
Da vozinha, coitadinha
Que eu não canso de chorar, Maria

E quando eu morar contigo
Tu hás de ver que perigo
Que isso vai ser, ai, meu Deus!
Vai nascer todos os dias
Uma porção de Marias
De olhinhos da cor dos teus, Maria
Maria...

No Rancho Fundo
(Ary Barroso/Lamartine Babo, 1931)

No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Onde a dor e a saudade
Contam coisas da cidade
No rancho fundo
De olhar triste e profundo
Um moreno conta as mágoas
Tendo os olhos rasos d'água
Pobre moreno
Que de tarde no sereno
Espera a lua no terreiro
Tendo o cigarro por companheiro
Sem um aceno
Ele pega da viola
E a lua por esmola
Vem pro quintal desse moreno
No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Nunca mais houve alegria
Nem de noite nem de dia
Os arvoredos já não contam mais segredos
E a última palmeira já morreu na cordilheira
Os passarinhos internaram-se nos ninhos
De tão triste esta tristeza
Enche de trevas a natureza
Tudo por quê? Só por causa do moreno
Que era grande, hoje é pequeno
Para uma casa de sapê

Se Deus soubesse
Da tristeza lá serra
Mandaria lá pra cima
Todo o amor que há na Terra
Porque o moreno vive louco de saudade
Só por causa do veneno
Das mulheres da cidade
Ele que era o cantor da primavera
Que até fez do rancho fundo
O céu maior que tem no mundo
O sol queimando
Se uma flor lá desabrocha
A montanha vai gelando lembrando o aroma da cabrocha.

Tu
(Ary Barroso, 1934)

Teu olhar é um sonho azul
Teu sorriso, uma promessa louca
Teus lábios, duas jóias de coral
No engaste sensual de tua boca

O mais lindo luar, tu
A grandeza do mar, tu
Só te quero a ti
Só te vejo a ti
Só palpito por ti
És minha vida, querida!

enviada por Roberta



08/08/2004 23:55
Escola Portátil de Música

Há umas três semanas estive em Vassouras, no Rio de Janeiro, para participar de uma oficina de Choro promovida pela Escola Portátil de Música.

A oficina foi emocionante. Não posso deixar passar em branco, tenho que registrar aqui o sucesso deste evento. Parabéns aos incansáveis Luciana Rabello e Maurício Carrilho que, além do trabalho exemplar que fazem na Acari, única gravadora especializada em choro, também estão à frente deste projeto, ao lado de grandes parceiros, como a pesquisadora e violonista Anna Paes, o bandolinista Pedro Aragão, dentre outros.

As aulas aconteceram numa escola pública e foram estimulantes, o dia todo, não dava vontade de parar. Os alunos estavam animadíssimos. A organização do evento – que coube, se não me engano, à Sarau Produções, foi impecável. Fiquei num hotel maravilhoso, com preço muuuito acessível, graças à parceria da Escola Portátil de Música com os hotéis da região. Um caderno da Oficina de Choro era distribuído a todos os alunos, contendo diversas partituras e um CD. Um ótimo material, nos moldes dos belos cadernos de choro lançados pela Acari. Ah, sim, e ganhamos uma camiseta também. É importante lembrar que tudo isso só foi possível graças à El Paso, empresa que patrocinou toda a oficina.

Quero fazer um apelo à Elpaso: por favor, traga esta oficina para São Paulo. Quem sabe vocês não conseguem uma parceria com alguma unidade do Sesc São Paulo? Este trabalho é exemplar, maravilhoso, e tem que ser divulgado por todo o Brasil.

A simpatia de todos os professores, em sua maioria com suas famílias (namorados (as), maridos, esposas, filhos, pais, mães), merece destaque. Foram 4 dias de atividades intensas, fico pensando: quantos alunos que conheci lá não vão se profissionalizar?

No último dia, os professores organizaram uma orquestra, cheguei a chorar de emoção. Adolescentes tocando clarinete, sax, baixo, violino, etc. Foi muuuito prazeroso participar e assistir de perto o trabalho destes mestres, em especial do Celsinho Silva, "meu" professor de pandeiro. Isso sem contar os diversos amigos que fiz, alunos e professores da Oficina de Choro no Rio, pessoas que adorei conhecer.

Quero agradecer a todos pelo carinho e pela iniciativa. El Paso, tomara que várias empresas brasileiras sigam seu exemplo. Parabéns!!!!!!!
enviada por Roberta



01/08/2004 20:43
No Ar: PRK-30

Queridos amigos, sumi de novo, né? Mas juro que "voltei pra ficar porque senti saudades..."

Já comentei aqui sobre o excelente livro de Paulo Perdigão: No Ar, PRK-30, lançado no ano passado (que traz dois cds), que fala sobre "o mais famoso programa de humor da era do rádio", feito por Castro Barbosa e Lauro Borges.

Vou trascrever aqui alguns trechos, mas já aviso que não tem o mesmo efeito de ouvir os programas:

"Hora da Ginástica"

Professor Reinaldo Muniz Magalhães (Lauro Borges): "Vamos fazer agora o exercício 333.333 vírgula 3. Olhem bem na gravura. Todos de cócoras com os pés pra cima. Isso! Vamos dar 50 pulos pra frente. Assim, assim, assim... Respirando somente pela boca e pelo ouvido esquerdo. Agora, quero ver todos marchando ao som desta bonita valsa vienense. (Piano toca Pirata da Perna de Pau). Vamos marchar com alegria. Um, dois, um dois, três, quatro, 47, 52... Alto! Agora respirem com força, para fora. O senhor aí, de casaca amarela, não respire com tanta força! Pode faltar ar para os outros. Não seja egoísta!"

"Agora, todos de quatro no chão para o exercício chamado de 'cachorrinho'. Isso! Levante a perninha direita, abaixe a perninha direita, levante a perninha direita..."

Megatério: "Um momento, professor, mas esse 'cachorrinho' só levanta a perninha direita por quê?"

Professor: "É porque ele é canhoto. Vamos ao exercício chamado 'saca-rolha', que é feito com ajuda de uma pessoa da família. Um: pegue a pessoa e vá torcendo seu pescoço com toda a força para a direita, assim como a gente torce o pescoço de um frango. Vá torcendo até estalar. Segure firme. Não se incomode com os olhos da pessoa, que ficam espichados como sapo-boi. Não solte. Depois, sim, a cara do parceiro já deve estar meio estúpida. Se ele desmaiar, não se preocupe: um balde d'água pode ser que faça a pessoa voltar a si outra vez. Este exercício é ótimo. Facilita a gente virar a cabeça por todas as posições e dar três ou quatro voltas completas ao redor do corpo."

Megatério: "Isso é que é conforto! A gente se vê por todos os lados sem espelho. Uma maravilha!"

Professor: "Passemos ao exercício que se intitula 'boa bola'. É um exercício só para homens, porque é um pouco pesado, violento. Atenção! Os senhores ginasticistas devem fazer esse exercício completamente vestidos, de calça, colete, paletó, gravata, como se fossem sair. Vamos começar! Primeiro, passem a perna esquerda por cima da cabeça e enfiem o pé direito no bolso traseiro do lado esquerdo da calça. Isso! Faça força que vai! Agora, pegue o pé que sobrou e faça a mesma coisa com ele: enfie-o no bolso traseiro da calça que está vazio. Meu amigo: você está quase redondinho, você está quase uma bola! Só sua cabeça que está atrapalhando! Pegue sua cabeça e enfie-a no bolso do colete. Isso! Agora, você é capaz de ir rolando até a porta do seu escritório, da sua repartição, de sua fábrica, sem gastar dinheiro, sem perder tempo esperando condução. Chegando lá, você desmancha essa bola e vai trabalhar disposto, alegre, satisfeito."
"Deitem-se agora de costas para o chão e levantem as perninhas pra cima, como se fossem um franguinho assado de confeitaria. Agora vamos dar um forte impulso pra cima, subir uns três ou quatro metros de altura e, ao cair, vamos todos plantar uma bananeira de cabeça pra baixo. Atenção, já! Isso! Gostei de ver! Dizem que todo homem deve ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore. E assim, com esse exercício, você, meu ouvinte, já cumpriu uma dessas missões plantando uma bananeira."
"Agora, abram bem os braços pra trás. Levante o calcanhar esquerdo e coloque-o debaixo do sovaco do mesmo lado. Não saia dessa posição nem que um marimbondo lhe morda a ponta do nariz! Atenção aí: o senhor, de calção rasgado, não fuja. Encoste-se na parede e faça seu exercício. Todos firmes! Posição de sentido! Levante um pé acima da cabeça. Agora levante o outro. (Ruído) Ih, desculpem. Rasguei o calção!"

Megatério: "Amigos ouvintes, pausa para mudar o calção."

enviada por Roberta



11/07/2004 21:49
Mônica Salmaso



Ganhei da minha querida 'boadrasta' o belíssimo Iaiá, finalmente. Está muito lindo. A música que eu mais gostei (por enquanto ;-) é a regravação de Vingança, com acordeon e arranjo de Toninho Ferragutti e clarinete, sax alto e arranjo de sopros de Proveta:

Vingança
(Francisco Mattoso e José Maria de Abreu)

Lá na beira do roçado,
Onde a tristeza não vem
Eu vivia sossegado
Com a viola do meu lado
Mais feliz do que ninguém

Numa festa no arraiá
Vi dois óio me olhá
Decidi no improviso,
Ela me deu um sorriso
E comigo foi morar

Nunca mais fui cantador
E a viola descansou
Eu vivia pra cabocla
Eu vivia pra cabocla
Só pensava em meu amor

Nunca fui feliz assim
Eu mesmo disse pra mim
Pensei que a felicidade
Pensei que a felicidade
Não pudesse ter um fim

Mas um dia a malvada
Foi-se embora e me esqueceu
Com um caboclo decidido
Juca Antônio conhecido
Cantador mais do que eu

Já cansado de esperar
Desisti de procurar
A cabocla que um dia
Levou minha alegria
Eu jurei de me vingar

Numa festa fui cantar
E a mulata tava lá
Juro por Nossa Senhora
Juro por Nossa Senhora
Que a cabocla eu quis matar

Mas fiquei sem respirar
Quando vi ela dançar
Ela tava tão bonita
Ela tava tão bonita
Que esqueci de me vingar.
________________________
Gravada originalmente em 1935 por Gastão Formenti e Orchestra Victor Brasileira, lançada em 1936. A gravação original é bonita, mas esta regravação está um primor.

Outra que amei:

Cabrochinha
(Maurício Carrilho e Paulo César Pinheiro)

Ô, cabrochinha
Venha ver quem chegou
Chegou no bico do sapato
O seu mulato flozô
Bota um vestido curto
Aquele justo lilás
Que tem um corte do lado
E um decote atrás

Dei sorte na loteca
E uma merreca pintou
Repara só na beca
Que o teu nego comprou
Vou te levar pra jantar
Cabrochinha, dessa vez
Num restaurante francês

Mas “sivuplé”, ô, “messiê” garçon
Leva o menu que eu não entendo lhufas
Eu vou pedir esse Don Perignon
Um escargot e um filet com trufas
Depois daquela sobremesa que flamba
A gente volta pro samba
A gente encerra o glamour
No fim da noite um bangalô
Penhoar e um abajur
Pra gente fazer l’amour
L’amour toujour.
_______________________
Também excelente. Já conhecia a gravação da Família Roitman.

Sinhazinha (Despertar)
(Chico Buarque)

Tá na hora de acordar, sinhazinha
Que tem muito o que fazer
Tem cabeça pra tratar
Tem que ler caderno B
Hora no homeopata
Fita no vídeo-clube
Tá na hora de acordar
Tem a vida pra viver
Tem convite pra dançar
Telefone pra você
Namorado pra brigar
Vinho branco pra esquecer

Tá na hora de acordar, sinhazinha
Eu não chamo uma outra vez
Que tem búzio pra jogar
Tem massagem no chinês
Instituto de ioga
Coleção nas vitrines
Tá na hora de acordar
Tá na idade de querer
Namorado pra casar
Casamento pra sofrer
A cabeça pra dançar
E a vontade de morrer
Disco novo pra rodar
Vinho branco pra esquecer.
__________________________
Um belo arranjo e piano de André Mehmari. Sinhazinha já foi gravada por Djavan no lp Para Viver um Grande Amor.

Vai (Menina Amanhã de Manhã)
(Tom Zé e Perna)

Menina amanhã de manhã
Quando a gente acordar quero te dizer
Que a felicidade vai desabar sobre os homens
Vai desabar sobre os homens
Vai desabar sobre os homens

Na hora ninguém escapa
Debaixo da cama, ninguém se esconde
A felicidade vai desabar sobre os homens
Vai desabar sobre os homens
Vai desabar sobre os homens

Menina, ela mete medo
Menina ela fecha a roda
Menina não tem saída
De cima, de banda ou de lado

Menina olhe pra frente
Menina, todo cuidado
Não queira dormir no ponto
Segure o jogo, atenção de manhã

Menina a felicidade
É cheia de praça, é cheia de traça
É cheia de lata, é cheia de graça

Menina a felicidade
É cheia de pano, é cheia de pena
É cheia de sino, é cheia de sono

Menina a felicidade
É cheia de ano, é cheia de Eno
É cheia de hino, é cheia de ONU

Menina a felicidade
É cheia de an, é cheia de en
É cheia de in, é cheia de on

Menina a felicidade
É cheia de a, é cheia de é
É cheia de i, é cheia de ó.
___________________________
Esta música é muito alto astral. Foi gravada por Tom Zé no lp Estudando o Samba e pelo Trio Mafuá.

As demais músicas do CD são: Estrela de Oxum (Rodolfo Stroeter e Joyce), Moro na Roça (adapt. de Xangô da Mangueira e Zagaia), Por toda a minha vida, (Tom Jobim e Vinícius de Moraes), Assum branco (José Miguel Wisnik), Cidade lagoa, (Sebastião Fonseca e Cícero Nunes), Doce na feira (Jair do Cavaquinho e Altair Costa), Onde ir (Vanessa da Mata), É doce morrer no mar (Dorival Caymmi) e Na aldeia (Sílvio Caldas, De Chocolat e Carusinho).

Grandes músicos participam deste CD, vou citar só alguns, além dos já citados, pra vcs sentirem o clima: Maurício Carrilho, Luciana Rabello, Robertinho Silva, Celsinho Silva, Teco Cardoso, Jorginho Silva, Paulo Bellinati, Benjamim Taubkin, Sujeito a Gincho, Teresa Cristina, Caíto Marcondes, etc.
enviada por Roberta






Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)